“É um filmes feminino”, define Sara Silveira, gaúcha radicada em São Paulo e produtora do longa. A trama é dividida em três partes e foca a história de três mães e suas perdas. As histórias partiram de casos reais, mas não tem a pretensão de serem documentais. Serviram apenas de inspiração sobre alguns de seus aspectos para a criação do roteiro.
O primeiro é sobre uma mãe (Cida Moreira), professora a caminho da aposentadoria, impactada com a reação de seu filho ao ser descoberto visitando sites de pedofilia. Outro caso é o do pai que esquece o filho no banco de trás de carro por ter alterado sua rota diária, o que tem como consequência a morte do bebê. Por fim, o caso mais conhecido, de Pedrinho, de Goiânia, roubado ainda bebê na maternidade e encontrado 16 anos depois pelos pais biológicos. “O que me interessou nesse último caso foi o momento desse reencontro, da mãe que revê o filho 16 anos depois de tê-lo perdido e se dá conta do vazio que nunca poderá ser preenchido”, explicou o diretor.
O diferencial do filme está também em seu formato. O espectador incialmente não entende muito o que acontece em cada episódio, visto que o longa usa de sequências com longos silêncios e contemplações. A compreensão plena de cada história se dá somente quando cada uma das atrizes canta uma música, o que destaca suas habilidades vocais e injeta nas cenas uma alta densidade dramática. “Assumi a tristeza do filme. Mas, ao mesmo tempo, queria olhar para esses personagens com um certo encantamento, em uma beleza simples”, falou Gotardo.