"Decidi fazer este filme porque ninguém fala muito da ambivalência provocada por iniciar uma relação com o filho que acaba de nascer", disse Comencini. O filme, protagonizado por Claudia Pandolfi e Filippo Timi, não consegue agradar o espectador com seu tom melodramático. O que deveria ser um drama psicológico, íntimo e sentimental vira uma caricatura da dor e chega a provocar risadas.
Muito mais convincente e elogiado é o novo filme de Abel Ferrara, "4:44 Last Day on Earth", sobre as grandes razões para aproveitar a vida. O diretor americano de 60 anos, símbolo do cinema independente, narra as últimas horas de vida do planeta através da relação de seu ator fetiche, Willem Dafoe, com Shanyn Leigh e a partir de um apartamento em Nova York. O filme de orçamento reduzido e sem efeitos especiais propõe uma maneira de viver com serenidade o fim do mundo, quando chegar Às 4h44.
"Quando se deve morrer e o mundo está para acabar, é preciso aceitar. Duas coisas na vida são certas: os impostos e a morte", brincou Ferrara, que disputa o Leão de Ouro.
Outro filme exibido nesta quarta-feira foi "Himizu", do japonês Sion Sono, ambientado justamente depois do terremoto e tsunami de março passado no Japão. A adaptação de um célebre mangá sobre um garoto abandonado pela família que sonha em ter uma vida normal é um retrato da violência, ausência de valores e princípios na sociedade moderna. Com imagens do terremoto devastador, tsunami e acidente nuclear, o filme foi considerado niilista pelo jornal Il Corriere della Sera.
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