O filme francês, que disputa a Palma de Ouro, mostra duas estrelas dos anos 20 em Hollywood, quando o som chega à sétima arte, o que leva o popular ator ao esquecimento e lança ao estrelato uma jovem atriz, apaixonada pelo antigo ídolo.
O longa-metragem inteligente, repleto de humor e impregnado por um sentimento de solidariedade, foi o mais aplaudido até o momento entre os filmes da mostra oficial, iniciada na quinta-feira e dominada até então por obras que refletem a miséria humana.
Hazanavicius, que rodou o filme em Hollywood, joga com os códigos do formato para criar um filme onde a imagem e a emoção são destaque. Questionado sobre o que o levou a dirigir um filme mudo e em preto e branco, em plena era do 3D, o diretor afirmou que tinha o desejo de "fazer um cinema puramente visual".
"O cinema mudo impõe aos espectadores uma maneira de ver o filme, impõe o melodrama", explicou o cineasta na entrevista coletiva, durante a qual manifestou admiração por diretores como Alfred Hitchock, Fritz Lang, Ernest Lubitch, King Vidor e Frank Borzage, que iniciaram suas carreiras no cinema mudo.
"The Artist" não havia sido selecionado, a princípio, para figurar na mostra oficial do festival e seria exibido apenas em sessão especial. No entanto, poucos dias antes da abertura do festival, o diretor artístico da mostra, Thiery Frémaux, o incluiu na lista de 20 filmes que disputam a Palma de Ouro.