O filme "Pele de Rinoceronte", de Marcello Ludwig Maia (RJ), foi o exibido da mostra competitiva de longas brasileiros do Festival de Cinema de Gramado, no domingo, dia 16, à noite. A narrativa é baseada no caso do assassinato de Angela Diniz, a partir do olhar de duas mulheres, uma jornalista, interpretada por Débora Falabella, e de uma advogada, Naruna Costa. O recorte é no final da vida de Angela e no início do julgamento.
O tema da violência contra a mulher já vem sendo abordado na carreira de Débora. "Venho lidando com este tema há alguns anos", diz a atriz, que circula no Brasil com a peça “Prima Facie”, já apresentada em Porto Alegre.
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Sobre a situação da sua personagem, a repórter policial Helena, Débora opina: "A minha personagem vai se dando conta das violências na sua própria vida. Investigar o crime vai mudando seu olhar e até sua maneira de escrever", diz a atriz.
Sobre a opção de focar no período prévio ao caso ir ao tribunal, o diretor explica: "Eu quis que a violência fosse entendida sem que precisasse ser encenada para que as pessoas entendam o tamanho dessa tragédia", sobre a opção por não recriar o feminicídio em frente às câmeras.
A parte do filme em que o casal de advogados prepara a acusação, formado pelos atores Naruna e Irandhir Santos, se torna muito didática. Em sua defesa, o diretor conta que sua família tem diversos advogados e acredita que muitos são assim mesmo, e, na sua observação, ao conversarem já parecem que estão em frente a um tribunal.