Baseado no livro de João Ubaldo Ribeiro, o filme acompanha um sargento que se torna uma figura épica e trágica, que se rebela contra a ordem e passa a buscar a sua individualidade, mas aos poucos vai enlouquecendo. “O que me atraiu a fazer o filme na época foi o personagem, um sertanejo fundamental”, declarou Lima Duarte. “Nossa equipe tinha 10 pessoas, quando hoje é comum se ter 60 profissionais num set”, explicou Penna. Mas o diretor acredita que o longa ainda traz questões atuais. “O filme se passa no período do Estado Novo. No Nordeste, se vivia a época da pistolagem. Mas os crimes políticos continuam”, opinou Penna. O diretor informou que por ocasião destes 30 anos do filme, foram feitas exibições em praça pública na cidade onde a história foi filmada, Poço Redondo (Sergipe), o que lhe deixou emocionado e mostra que o filme ainda vive.
Ao conversar com a imprensa em uma entrevista coletiva durante a tarde dessa terça-feira, Lima Duarte, 84 anos, relembrou como sua carreira começou. Nascido no interior de Minas Gerais, o seu pai o mandou embora de casa aos 14 anos. “Meu pai sempre foi um mistério para mim”, comentou. Mas entre as coisas que o marcaram na infância, está a lembrança de que seu pai colocava paletó para escutar o rádio e a cidade se juntava ao redor dele para vê-lo. “Mas ele colocava o rádio bem baixinho, para que só ele escutasse. Logo aprendeu que quem detém a informação detém o poder”, disse Lima Duarte.
Chegou a São Paulo de carona. As memórias com o rádio em sua terra o fizeram querer trabalhar no rádio na cidade grande. E assim foi procurar emprego em um veículo e o conseguiu como operador de som. Depois fez também sonoplastia e então inicia no como ator no rádio-teatro. Quando surge a televisão no Brasil, em 1950, ele passa a atuar nas novelas. Trabalhou também como dublador em diversos desenhos animados de Hanna Barbera, em personagens como o Manda-chuva. Atualmente, se dedica a um documentário.