O local está com espaço lotado para novas sepulturas. Por isso, a direção da instituição resolve remover túmulos abandonados e transpor restos mortais para construir túmulos verticais. Para isso, contratam uma especialista, vivida pela atriz Luciana de Barros. Enquanto o protagonista precisa vencer seus medos, acaba se apaixonando pela colega de trabalho, enquanto sente ainda uma crise de consciência.
"O filme é uma alegoria da expansão urbana", explicou a diretora em entrevista coletiva. A escolha pelas locações em cemitérios, que exigiram autorizações bastante negociadas, se deve à admiração que Juliana diz ter por estes espaços. "Sempre gostei de cemitérios por vê-los como reflexos de uma cidade", comentou. Desta forma, o longa aborda, por via reflexa, o processo de reurbanização que vem ocorrendo nas grandes cidades brasileiras e, por fim, a especulação imobiliária. Sobre o fato de faltar túmulos em cemitérios ela tomou conhecimento de que isso realmente aconteceu em uma cidade do interior.
Além disso, a cineasta, que tem no currículo filmes como "Trabalhar Cansa" (2011), diz que lhe interessa abordar, em sua filmografia, as relações de trabalho e de locais sobre os quais a maioria das pessoas desconhece o funcionamento, como um cemitério. E isso é desenvolvido no roteiro. A cinesta também discorreu sobre a sua opção por fazer um musical com pitadas de humor. "Sei que o cemitério é um ambiente pesado. Por isso, sabia que tinha de fazer um filme leve naquele ambiente", explicou.
A trilha sonora é um dos destaques desta produção, que tem canções assinadas pela própria diretora, ao lado de Marco Dutra. O filme é, portanto, um forte concorrente a sair de Gramado com algumas estatuetas na mão.
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