Para ficar na lembrança o talento e o vigor de Eder Jofre, que na morreu na madrugada deste domingo, uma das produções que ganhou as telas nos últimos anos foi "10 Segundos Para Vencer", com direção de José Alvarenga Jr. e com o ator Daniel Oliveira no papel do lutador. O filme de Alvarenga, que rendeu a Osmar Prado o Kikito de Melhor Ator e à Ricardo Gelli o de Melhor Ator Coadjuvante, relata parte importante da vida daquele que os brasileiros ouviram suas vitórias pelo radinho, até a chegada ao inédito título mundial de boxe, lá pelos anos 1960. Com foco também no relacionamento entre Eder e seu pai e treinador, Kid Jofre, vivido pelo ator Osmar Prado, a produção toma liberdades para imprimir a dramaticidade necessária ao roteiro do longa. Fica marcado que Eder Jofre foi o primeiro brasileiro a conquistar um cinturão mundial de boxe, como peso galo, e depois repetiu o feito, já na reta final da carreira, como peso pena. A trajetória do garoto que acabou virando o boxeador mais conhecido e construindo a mais vitoriosa façanha do clã de pugilistas que surgiu da mistura das famílias Jofre, de seu pai argentino, Kid, e dos Zumbano, de sua mãe, Angelina, está resumida na tela com a jornada de Eder, de criança até seu segundo título mundial.
Contemporâneo - Com as tecnologias atuais disponíveis, o espetáculo na tela ganha contornos contemporâneos e coloca ênfase sobre o talentoso trabalho de Daniel Oliveira que, além de trabalhar para moldar o corpo para viver o pugilista, aprendeu boxa para convencer, tanto nas cenas de treino como nas lutas proprimente ditaslcomo nas de luta, convence de que sabe o que está fazendo. A mesma intensidade pode-se conferir à atuação do veterano ator Osmar Prado, que no papel de pai do pugilista recebeu Kikito de Melhor Ator em Gramado. Osmar Prado se sobressai no papel de Kid Jofre, encarnando as dificuldades de um convívio complicado entre o jovem lutador e um técnico que pensa fundamental ser rígido e disciplinar, enquanto tem enorme dificuldade de demonstrar empatia e carinho pelo filho.
A vivência de Eder Jofre já foi apresentada no livro "O Galo de Ouro", de Henrique Matteucci, e no documentário "Quebrando a Cara", de Ugo Giorgetti, incluindo os momentos em que viveu o universo circense, dando um tempo em sua carreira profissional, e acompanhando de forma mais próxima ao irmáo Dogalberto. Além de Osmar Prado, Ricardo Gelli também foi premiado em Gramado por sua atuação, interpretando Zumbanão, tio de Eder.
Tecnologia - Foram as novas possibilidades tecnologicas que permitiram construir as cenas de ginásios cheios e do visual da época em que aconteceram as lutas, tudo trabalhado com criatividade e talento na pósprodução, levando o espectador a acreditar e se engajar no espírito vivido em 1960 e 1970, que envolveu o universo das lutas. Em coletiva de imprensa na época do Festival de Gramado, Alvarenga confirmou a escolha da velocidade dos pesos galo e pena, categorias mais leves, em que Eder lutava, para conferir uma cara diferente e mais veloz às coreografias de combate. Impactantes são as cenas em que o diretor consegue levar a câmera para dentro do ringue e mostrar de perto os golpes entre os lutadores.