O filme "Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives" (O tio Boonmee, que pode recordar suas vidas anteriores, numa tradução livre), uma fábula budista do realizador tailandês Apichatpong Weerasethakal, conquistou neste domingo a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Também produzido pela Espanha, o filme, de belas imagens, conta a história de um homem que decide passar seus últimos dias na selva, onde aparece para ele o fantasma da esposa morta e do filho desaparecido, este transformado em animal.
Premiado em 2001 em Cannes por "Tropical Malady", o cineasta disse que se inspirou em sua região natal, o norte da Tailândia, "com sua vegetação, montanhas e crenças animistas", e no México, para onde viajou duas vezes.
Javier Bardem e Elio Germano dividem prêmio de melhor ator
O prêmio de melhor ator no Festival deste ano foi dividido entre o espanhol Javier Bardem, que atuou em "Biutiful", e o italiano Elio Germano, por seu trabalho em "La nostra vita". Bardem mostrou atuação intensa e sóbria no filme, do realizador mexicano Alejandro González Iñarritu, que lhe valeu mais uma grande recompensa do cinema mundial, após receber um Oscar em 2008 por sua interpretação no filme dos irmãos Ethan e Hoel Coen ("Onde os fracos não têm vez").
Bardem, que se tornou o principal ator espanhol de sua geração, nasceu no dia 1 de março de 1969 em Palmas de Gran Canaria, de uma família marcada pela arte. Neto de atores, filho da atriz Pilar Bardem, sobrinho do famoso diretor Juan Antonio Bardem e irmão dos atores Carlos e Mónica Bardem, não há dúvida de que tem a arte nas veias. Pisou em Hollywood em 2001, ao ser indicado a um Oscar por sua magistral "reencarnação" do escritor homossexual cubano Reinaldo Arenas em "Antes que anoiteça", de Julian Schnabel. Ele era para muitos o ator destinado a ser o novo "latin lover" de Hollywood, substituindo o já famoso compatriota Antonio Banderas, mas os personagens que escolheu o levaram para longe desse clichê.
Entre suas incursões no cinema internacional também destacam-se "Os fantasmas de Goya", de Milos Forman, "Amor em tempos de cólera", de Mike Newell, e "Vicky Cristina Barcelona", de Woody Allen. Já o italiano Germano, outro vencedor do prêmio de melhor ator do Festival, foi revelado em 2002 na Semana da Crítica com "Respiro", antes de filmar com Ettore Scola e Abel Ferrara, que o converteram em um importante expoente do cinema italiano.
Em "La nostra vita", de Daniele Luchetti, o ator de 29 anos seduziu o juri de Cannes com uma charmosa e emocionada composição de um capataz de obras que vê sua vida dar uma guinada de um dia para o outro. Nascido em 25 de setembro de 1980 em Roma, Elio Germano, que muitos comparam com o jovem Robert de Niro, começou a ficar conhecido ao atuar no filme "Respiro", de Emanuele Crialese, em 2002, e posteriormente ser escolhido por Abel Ferrara para "Mary".
Ele trabalhou ainda com Luchetti em "Meu irmão é filho único", apresentado em Cannes em "Um Certo Olhar" e premiado com um David di Donatello do cinema italiano. Em "La Nostra Vita", Elio Germano encarna Claudio, que vive feliz em Roma com sua esposa Elena (Isabella Ragonese) e seus dois filhos pequenos.Grávida, Elena sonha com férias na Sardenha, mas a família não pode pagá-las porque "nós não roubamos", segundo explica aos filhos. Mas quando Elena morre ao dar à luz, a vida de Claudio dá uma reviravolta, e ele precisa sobreviver e cuidar sozinho dos filhos.
Juliette Binoche é melhor atriz
A atriz francesa Juliette Binoche, musa do 63º Festival de Cinema de Cannes, conquistou neste domingo o prêmio de melhor interpretação feminina pelo desempenho no filme "Copia Conforme", do iraniano Abbas Kiarostami. Binoche, nascida em Paris em 1964, encarna uma mulher que retoma a relação com o marido na Toscana, num filme que fala sobre a impossibilidade de amar, com personagens que se movem entre verdades e mentiras.
Juliette recebeu em 1996 o Oscar de melhor atriz coadjuvante pela interpretação no filme "O paciente inglês", do britânico Anthony Minghella. Em sua trajetória como atriz, destaca-se a magistral interpretação em "Azul", do polonês, e "Je vous salue, Marie", de Jean Luc Godard. Sua imagem ilustrou este ano o cartaz publicitário do Festival de Cannes.
Filme tailandês ganha Palma de Ouro do Festival de Cannes
Javier Bardem levou o prêmio de melhor ator junto com Elio Germano