Um dos destaques da Belo Horizonte International Film Festival (CineBH), que acontece até o próximo domingo no, dia 28, na capital mineira é a presença das produções latino-americanas. Na noite desta quarta-feira teve estreia internacional da produção uruguaia “Quemadura China”, de Verônica Perrota, uma coprodução com a brasileira Okna Produções. Atriz de filmes premiados como “Las Toninas de Van al este”, “A Mulher do Pai”, entre outros, Verônica já foi premiada por seu trabalho de atuação no Festival de Cinema de Gramado. Aliás, o filme exibido na CineBH deste ano conta com a atuação de dois outros grandes atores uruguaios: Cesar Troncoso e Nestor Guzzini, conhecidos e aplaudidos no festival da serra.
Ficção baseada em obra homônima de teatro realizada pela própria Verônica Perrota, a produção é criativa, ousada e acerta muito ao trabalhar com a metalinguagem, trazendo o filme dentro do filme, com atuações talentosas de seus protagonistas. A “química” entre atores e, a condição talentosa e sensível da diretora, fazem do filme um convite ao crescente envolvimento com uma trama que provoca, emociona e humaniza.
Nesta mostra competitiva Território, em que a produção uruguaia se localiza, há até oito longas metragens, e se encontra em sua terceira edição neste ano. A diretriz é declarada: “a renovação constante de diretores e diretoras”. Os filmes selecionados são de quem dirigiu, no máximo, dois longas-metragens anteriores. Esses filmes precisam ser dirigidos por diretoras e diretores nascidos na América Latina e a produção majoritária também tem de ser de algum país latino-americano.
Conectada com diferentes evidências continentais, a Mostra competitiva Território deste ano apresenta um conjunto de longas-metragens diversos, mas conectados. Além do filme uruguaio, outra ficção mais evidente é da Argentina, “Una Casa con Dos Perros”. “Ambas lidam com locações interiores circunscritas em universos urbanos e de classe média, habitados por personagens mínima ou inteiramente fora da curva de performatividades ditas ou entendidas como “normais”.
Terceira ficção da programação, com flertes com o documental, “Chicharras”, de um coletivo do Sul do México, lida com a família em sua forma mais ampla, a de uma comunidade onde as decisões são coletivas.
Já o peruano “Punku” também tem seu lado ficcional, mas de modo ainda mais rugoso, ensaístico e experimentador, com diversidade de materiais visuais e uma montagem de idas, vindas e voltas. No centro – se é que há algum, encontram-se um jovem e uma jovem. Ele silencioso e sem enxergar. Ela obcecada em cuidar dele e do próprio futuro como modelo.
A ficção brasileira “Movimento Perpétu”, primeiro longa-metragem do município de Arapiraca, no interior de Alagoas, desafia definições fáceis e apressadas, ao ser estranha e singular em seus modos, sem sintonia com palatáveis tendências contemporâneas ou clássicas.
No campo das questões atuais mais diretas, há o chileno “Oasis”, realizado por um coletivo já sedimentado que explora a filmagem observacional como estratégia convicta. O filme expõe as multifaces da ebulição política no Chile entre os anos de 2019 e 2020, durante as manifestações que tomaram as ruas do país e que, junto a debates parlamentares, culminaram no plebiscito para a realização de uma nova Constituição.
O colombiano “Bienvenidos Conquistadores Interplanetarios” e o equatoriano “Huaquero l” lidam com imagens e vestígios do passado. O primeiro vale-se de um ensaio experimental, com muitas imagens de arquivo, sobre a relação entre a Colômbia e os EUA em contexto de corrida espacial. O segundo centra em personagens que, filmados de forma muito próxima entre o observacional e o performático, vivem de escavar a terra para coletar objetos do período pré-colombiano e restaurar as peças a fim de vendê-las por preços e valores justos, mas raramente alcançados.
Os vencedores desta edição da Belo Horizonte International Film Festival serão conhecidos neste domingo, dia 28.