Professora, escritora e ativista feminista, a argentina Dolores Reyes fará parte de uma das mesas do Programa Principal da 23ª edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, que será realizada entre os dias 30 de julho e 3 de agosto de 2025, na cidade litorânea fluminense.
Dolores Reyes vem se estabelecendo como uma voz única e potente na literatura contemporânea, chamando a atenção por tratar, com uma linguagem ao mesmo tempo poética e contundente, de questões como as desigualdades e violências sofridas pelas mulheres. “Reyes faz uma espécie de atualização do realismo mágico latino-americano, que volta nos seus livros com a mesma força do imaginário, mesclando a vida contemporânea com tradições indígenas locais, e trazendo para seus livros temas fundamentais do presente”, conta a curadora da 23ª Flip, Ana Lima Cecilio.
Seus romances “Cometerra” (Moinhos, 2022) e “Miséria” (Moinhos, 2024) abordam de forma provocativa temas duros como a pedofilia, o feminicídio e outras formas de violência. “Por tocar nesses temas com tanta contundência, Reyes foi alvo de tentativa de censura pelo governo argentino. A autora virou assim um símbolo da resistência da cultura de seu país ao governo de extrema direita”, explica a curadora.
A Flip promove o encontro de leitores com autores nacionais e internacionais durante os cinco dias de Festa. Dolores Reyes é a terceira escritora confirmada para participar da 23ª edição, seguindo o anúncio das presenças internacionais da mexicana Dahlia de la Cerda e do italiano Sandro Veronesi.
Sobre a autora
Dolores Reyes nasceu em 1978, em Buenos Aires, na Argentina, onde estudou Literatura Clássica. É professora, escritora e ativista feminista. Seu primeiro romance, "Cometerra” (Moinhos, 2022), teve grandes repercussões nos meios editorial e político por sua abordagem ao mesmo tempo lírica e brutal de temas como o feminicídio e as desigualdades e violências perpetradas contra as mulheres. O romance “Miséria” (Moinhos, 2024) dá continuidade à história do primeiro, mesclando vozes e olhares sobre as questões que movem sua escrita.
Curadoria literária
A curadora Ana Lima Cecilio é formada em Filosofia pela USP. Trabalhando há 20 anos no meio editorial, foi editora da Carambaia e do selo Biblioteca Azul, da Globo Livros, onde foi responsável por trazer ao Brasil importantes autores, como Elena Ferrante, que virou febre entre os brasileiros. Publica, semanalmente, a newsletter A Lábia com dicas de livros. Foi curadora da 22ª Flip, em 2024.
Sobre a Flip
A Flip, que teve sua primeira edição em 2003, emergiu de um longo processo iniciado em 1993. Foi reconhecida como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial da Cidade de Paraty, e Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Os encontros promovidos nos cinco dias de Festa são parte essencial de uma manifestação cultural muito mais ampla, fruto de uma relação que atravessa as ruas da cidade de Paraty em todos os meses do ano.
Contemplada com os prêmios APCA 2011 na categoria Urbanidade, e Faz Diferença, pelo jornal O Globo, em 2023, na categoria Livros, a Festa, que a cada ano atrai um público mais amplo e diverso, reúne personalidades do mundo da cultura e da literatura para conversas e outras atividades, além de promover ações de incentivo à leitura e à formação de novos leitores com um programa educativo para crianças e jovens ao longo de todo o ano, que culmina na celebração da Flipinha e FlipZona.
A cada ano, um projeto artístico, arquitetônico e urbanístico é elaborado para promover um novo encontro com o território do qual emerge. A literatura é ferramenta para criar pontes entre diversas formas de arte e conhecimento para apresentar novas possibilidades de ocupação dos espaços públicos, com cultura e educação. A Flip é um projeto realizado pelo Ministério da Cultura e Governo Federal e pela Associação Casa Azul, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, contando com o apoio institucional da Prefeitura de Paraty.
Veja como foi a mesa de encerramento da 22ª Flip, em 2024, com Carla Madeira, Silvana Tavano e Mariana Salomão Carrara e mediação de Didi Couto.