Arte & Agenda

Flip da diversidade de temas e idades

Balanço da Festa Literária foi divulgado na manhã deste domingo

Se depender do balanço da 13ª edição da Festa Internacional Literária de Paraty, divulgado no final da manhã deste domingo pela Associaçâo Casa Azul e pela curadoria da festa, podemos dizer que a Flip foi o evento da diversidade de temas, de gêneros, de idades, multicultural, a cara do homenageado Mário de Andrade, com menor público circulante, mas com um público maior na Tenda dos Autores e nas atividades da Flipinha, Flipzona e FlipMais.

Na coletiva de imprensa, o curador Paulo Werneck, a idealizadora britânica Liz Calder e os organizadores o diretor-presidente da Casa Azul, Mauro Munhoz e a curadora da Flipinha e Flipzona, Isabela Cermelli, a Belita, mostraram satisfação com a festa, que apesar de crise financeira se manteve vivaz, ativa, mantendo a sua característica de diversidade temática. O curador Paulo Werneck abordou a questão de gênero, que foi um ano de grande presença feminina, destacando Beatriz Sarlo, Alexandra Lucas Coelho, Matilde Campilho, Karina Buhr, Lilia Schwarcz e Heloísa Starling, além da abrangência das idades, pois ia de Matilde Campilho, de 33 anos, até Boris Fausto, 84 anos e na música/escrita, que foi de Karina Buhr, de 41 anos a José Ramos Tinhorão, de 87 anos. Matilde Campilho foi o destaque de vendas até a manhã deste domingo, com "Jóquei" (Editora 34), sendo o livro mais vendido na livraria Travessa, a oficial da Flip.

Liz Calder ressaltou que o ponto alto foi a mesa com o dramaturgo inglês David Hare e também a apresentação musical que marcou o início da Festa, com Luiz Perequê e o grupo Os Caiçaras. "Achei que a programação da Flip e das outras atividades teve mais presença de mulheres do que nos outros anos", destacou. Mauro Munhoz destacou que foi uma bênção o homenageado ser Mário de Andrade, pois teve uma identidade com a história da Flip e também com a Paraty dos anos 1960, quando a cidade teve a experiência de receber artistas e intelectuais ligados ao Rio de Janeiro e São Paulo. Isabel Cermelli destacou a doação de 2.572 livros a 44 bibliotecas da Rede de Bibliotecas Comunitárias de Paraty, isto ainda sem computar as doações de livros de autores da Tenda Principal que serão feitas durante a semana. "Quero destacar também que tivemos 19 eventos traduzidos em Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) com quatro tradutores, dois homens e duas mulheres", frisou.

Paulo Werneck também observou que houve uma diversidade geográfica, com autores do Quênia a Portugal, do México à Argentina, da Austrália à Rússia. "No Brasil, trouxemos autores pela sua qualidade, mas mapeamos bem, pois tivemos desde Antônio Risério, da Bahia, passando por Karina Buhr, de Pernambuco, até Heloísa Starling, de Minas Gerais. Na curadoria, fazemos uma série de escolhas combinamos e acreditamos que utilizamos bem alguns autores como estratégias para fisgar o público". Sobre o público, Munhoz lembrou que a estimativa é de 25 mil pessoas participando das atividades e que houve lotação da maioria das mesas da Tenda do Autores, da Casa de Cultura. "O fato de não ter o telão na praça e ficar concentrado junto à Tenda permitiu que as pessoas ficassem mais concentradas ali e se ainda houvesse ingresso conseguissem entrar, enquanto que no ano passado as pessoas já iam garantir lugar no telão, que foi mais concentrado e teve também áudio original e headsets", finalizou. A Flip se encerra com a mesa Livro de Cabeceira, às 16h, quando pelo menos oito autores que passaram pela Tenda dos Autores vão falar dos seus livros de preferência.

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