Juntamente com "Pinocchio", de Carlo Collodi, o livro de Maquiavel é o texto de um autor italiano mais traduzido no mundo, afirmou Valdo Spini, presidente do Comitê florentino para as comemorações. "Maquiavel foi o fundador da ciência política, aquele que entendeu primeiro que o poder não foi concedido por Deus, mas que é temporal", explicou Spini, elogiando "a modernidade" do texto do teórico político.
Para homenagear uma das personalidades mais importantes do Renascimento, que foi diplomata e filósofo, foi organizada uma exposição com o lema "O caminho do Príncipe". O comitê organizador quer desfazer também o estereótipo que foi propagado pelo mundo de que o italiano "é dúbio e oportunista", como sugere o livro, ao desnudar as verdadeiras práticas do poder.
Pertencente a uma família nobre de Florença, Maquiavel, um advogado, esteve a cargo de um escritório público, viajou a várias cortes na França, Alemanha e outras cidades-estado italianas para cumprir missões diplomáticas.
Durante a República Florentina (1494-1512), colaborou com o austero Girolamo Savonarola, antes do retorno ao poder de Lorenzo de Médici.
Acusado de conspiração, ele foi torturado e teve que se exilar em seguida, período em que desenvolveu a atividade literária, ganhando influência crescente. No entanto, morreu a poucas semanas da queda dos Médici, em 21 de junho de 1527, aos cinquenta e oito anos, sem ter recuperado seu cargo no serviço público, após ter sido chanceler e secretário da Segunda Chancelaria.
"O livro é fruto de sua experiência e de suas reflexões", resumiu Spini. A exposição, que ficará em cartaz até fevereiro de 2014, inclui 90 documentos assinados por Maquiavel, o manuscrito "A Arte da Guerra", assim como cartas codificadas, pinturas e retratos, explicou Silvia Alessandri, vice-diretora da Biblioteca Nacional de Florença.
Maquiavel, que defendeu sempre a República Florentina, dedicou o livro a Lorenzo de Médici, com a esperança de que lhe desse a graça que nunca alcançou.
À Florença daquela época corresponde também o magnífico "David" de Michelangelo, elaborado entre 1501 e 1504, encarregado pelas autoridades republicadas para "representar a resistência ao tirano", explicou Francesca de Luca, responsável do Museu dos Ofícios para o século XVI.
Outro florentino célebre na época era Leonardo da Vinci, que será lembrado através do enorme afresco perdido "La batalla de Anghiari" (Tavola Doria), elaborado entre 1503 e 1504 e descoberto em 2012 atrás de um falso muro no sação do Palazzo Vecchio, sede da prefeitura de Florença.
A pintura, que acreditava-se ter sido destruída em meados do século XVI, será exposta pela primeira vez em Florença antes de voltar ao museu de Tóquio, que a adquiriu sem saber que tinha sido roubada, em virtude de um acordo bilateral.