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Folclore brasileiro inspira o flamenco, diz Estrella Morente

Cantora espanhola se apresenta sábado e domingo em Porto Alegre

Estrella se apresenta sábado e domingo em Porto Alegre
Estrella se apresenta sábado e domingo em Porto Alegre Foto : Artur Puls
Uma das principais vozes do flamenco estará em Porto Alegre neste sábado e domingo, às 21h. O espetáculo "Mujeres", com Estrella Morente, será apresentado no Teatro do Bourbon Country (Túlio de Rose, 80, 2º andar). Em entrevista exclusiva ao site do Correio do Povo, ela falou sobre a admiração pelo Brasil, sobre as músicas que aprecia e sobre o que apresentará no palco. "Para os flamencos, o folclore brasileiro é uma fonte de inspiração", disse.

Estrella é uma das principais atrações do final de semana derradeiro do 18º Porto Alegre em Cena, evento que a traz pela primeira vez ao Brasil. Informações sobre ingressos estão nos sites www.poaemcena.com.br e www.ingressorapido.com.br.

Nascida em 14 de agosto de 1980, em Sacromonte, Granada, no Sul da Espanha, ela é filha do mítico cantor de flamenco Enrique Morente, que morreu em dezembro de 2010, e da bailarina Aurora Carbonell. Com apenas três discos gravados, Estrella tem participado de alguns filmes de Carlos Saura e interpretou a música "Volver", do filme homônimo de Pedro Almodóvar com Penélope Cruz como protagonista. Os discos são "Mi Cante y Un Poema" (2001), "Calle del Aire" (2001) e "Mujeres" (2006). Em 2007, lançou o DVD "Casacueva y Escenario".

No palco, estará uma legítima família flamenca, pois entre os músicos estão o avô Jose Carbonell Muñoz "Montoyita", o tio Jose Carbonell Serrano "Monti" (guitarras), Angel Gabarre Barrull, o tio Antonio Carbonell Muñoz, o irmão Enrique Carbonell Muñoz (palmas e coro) e o primo Pedro Gabarre Carbonell "Popo" (percussão).

Além de "Volver", o repertório da noite deve contar com canções como "Nana", "Zambra", "Bulería por Soleá", "Tangos del Chavico", "Caza al Alcance", "Nostalgia" e "Vuelvo al Sur".

Assista a parte de uma apresentação em Londres:



Correio do Povo - É a primeira vez que estás no Brasil e em Porto Alegre. O que conheces da música brasileira?
Estrella Morente -
Adoro o Brasil musicalmente. Não tenho a sorte de conhecer o País, mas tenho muitos amigos brasileiros, muitos discos de músicos daqui. O Brasil é um país musical. Os músicos são estudiosos, criativos, selvagens. Para os flamencos, o folclore brasileiro é uma fonte de inspiração. Meu primo Agustín Carbonell já esteve no Brasil e levou muita música brasileira para minha casa. Meu canto tem muito a ver com o fado. É um país de amizade, de encontro entre os músicos. Gosto muito de Caetano Veloso e de Maria Bethânia. Vou ver a apresentação dela no festival. Sou muito fã da música de Elis Regina.

CP - O que você preparou para estes dois shows no festival?
Estrella -
É um trabalho especial, que tem um fio condutor a partir dos meus três discos, especialmente de "Mujeres", que na verdade tem muitas músicas de vieram das apresentações ao vivo, em homenagem a vozes que admiro. Em cada país, tento utilizar algum elemento ou gênero local, mas não quer dizer que vou incluir bossa nova ou samba nas músicas, somente que é algo interno de colocar este país cheio de cor e intensidade e caminhar por ele desde a minha melancolia com minha "soleá" (solidão em dialeto andaluz e também um gênero de canto flamenco).

CP - Enrique Morente é uma lenda do flamenco. Como está sendo lidar com a morte de teu pai?
Estrella -
Eu vivo no meio de uma tormenta terrível, cheia de trovões e relâmpagos. Me encontro dentro dela, tentando sair. Meu pai era meu farol, minha herança musical e minha única luz.

CP - Por ter sido criada numa família flamenca, você quase não teve escolha, tornou-se cantora do gênero. Conte-nos como é ter uma família musical no palco?
Estrella -
É maravilhoso. Estamos sempre em família. É gente que te conhece muito bem, além de serem uns monstros da música, pelo conhecimento dos instrumentos, do flamenco. Eles me motivam, me põem para cima, me cuidam.

CP - O que você tem ouvido na vitrola ou no MP3?
Estrella -
Nas viagens não tenho escutado muita coisa, pois não sou muito boa com tecnologias. Não tenho e não entendo de MP3. Quando recebo um CD de algum músico local, não encontro onde colocar o CD. Meu telefone móvel é o mais antigo possível. Prefiro as coisas que se tocam, os livros, as pinturas, os próprios CDs e discos. A máquina nos afasta da pessoa. Prefiro a música em primeira pessoa, cantar, escrever, me reunir para cantar, pois está ligado direto ao coração, mas sei que são importantes na atualidade.

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