Considerada uma das mais importantes representantes de uma geração de artistas na América Latina, Regina Silveira retorna a Porto Alegre para apresentar, pela primeira vez na sua cidade natal, uma exposição de caráter retrospectivo de sua carreira, ou como ela gosta de dizer, um survey de sua produção. "Mil e um Dias e Outros Enigmas" tem curadoria do colombiano José Roca, também curador-geral da Bienal do Mercosul em 2011, parceiro da artista em outras duas mostras: "Sombra Luminosa" (2008 - Museu de Arte Banco de la Republica, Bogotá, e de Antioquia, Medellín, Colômbia) e "Linha de Sombra" (2009 - Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro). "Minha formação original é de arquiteto, assim sou capaz de entender melhor o potencial plástico das complexidades espaciais do edifício, que apresentam um desafio para qualquer trabalho que esteja ali. A escolha das obras foi feita em estreita relação com Regina", informa Roca.
A fachada, o átrio e os dois primeiros pisos dialogarão com as obras da artista - algumas produzidas especialmente para esta retrospectiva, outras adaptadas para as condições arquitetônicas do espaço. Segundo Roca, a força expressiva da construção, suas formas e seus materiais brutos, assim como o magistral aproveitamento da iluminação, se transformam em protagonistas inevitáveis na hora de realizar a curadoria. Regina Silveira, 71 anos, é a artista gaúcha contemporânea que mais circula no mundo. Antes de deixar o Estado, em 1967, e partir para longa viagem de formação profissional, levou consigo vasta bagagem artística. Concluiu o bacharelado de Pintura no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), cursou aperfeiçoamento de Pintura com Ado Malagoli e ocupou cargo de colaboradora de ensino em aulas de desenho, convidada por João Fahrion.