Engana-se quem pensa que Gabriela Leite se tornou prostituta por necessidade ou que tenha uma vida de segregação. Fundadora da ONG Davida, que defende os direitos das prostitutas, e idealizadora da grife Daspu (uma provocação à maior loja de artigos de luxo do país, a Daslu), ela é bastante sincera quando explica que virou profissional do sexo por vontade própria. A polêmica Gabriela esteve na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre no último sábado, falando sobre "Filha Mãe Avó e Puta", o livro que narra sua trajetória de vida.
"Tinha uma angústia em ser livre. Gostava da boemia. Do bar que eu frequentava, na década de 70, observava as prostitutas chegando na boate, lindas e perfumadas, e pensava: 'essa é a vida que eu queria para mim'", afirmou. E ela tomou coragem para seguir o que mandava o coração. Abandonou a faculdade de Sociologia, o emprego de secretária, enfrentou a família, o preconceito da sociedade, e foi viver na zona.
Ela lembra que, ao final do primeiro dia de trabalho como profissional do sexo, sentiu uma felicidade enorme. "Tinha uma alegria tão grande, que queria abraçar todo o mundo na rua. Eu tinha trabalho, dinheiro e liberdade". E assim foi durante anos. "Fiz muitos amigos, gostava de conversar com os clientes. Os homens são maravilhosos na sua fragilidade", observa.
A ONG Davida surgiu em 1992 para sistematizar o trabalho das prostitutas, mas enfrentava dificudades de apoio a iniciativas. Em função disso, pensou em desenvolver um projeto sustentável e acabou surgindo a Daspu, confecção de roupas feitas pelas prostitutas, que virou um sucesso de repercussão internacional. "Até hoje não compreendo essa mídia espontânea em torno da Daspu", avalia a idealizadora da grife.
Aos 58 anos, Gabriela se dedica à defesa dos direitos das prostitutas. Tem duas filhas, é avó, vive com o jornalista Flávio Lenz desde 1991 e diz que a relação com a mãe melhorou.
Fundadora da grife Daspu visita a Feira do Livro
Gabriela Leite falou sobre livro que narra sua trajetória de vida como profissional do sexo