Ao que parece, esta declaração motivou a resposta do ator de 63 anos e sua renúncia à nacionalidade francesa. "Vou porque você considera que o sucesso, a criação, o talento, na realidade a diferença, devem ser sancionados", completa um dos atores mais famosos da França. "Quem é você para me julgar assim?, pergunto senhor Ayrault. Infelizmente não tenho mais nada a fazer aqui".
Franceses realizaram protesto em frente ao novo endereço de Depardieu na Bégilca | Foto: Philippe Huguen / AFP / CP
Depardieu afirma que sempre pagou seus impostos e recorda ao chefe de Governo que começou a trabalhar aos "14 anos em uma gráfica, como agente de manutenção e depois como artista dramático". "Devolvo meu passaporte e meu seguro social, que nunca utilizei. Não temos a mesma pátria, eu sou um verdadeiro europeu, um cidadão do mundo, como sempre me ensinou meu pai", conclui o ator.
A carta foi publicada no Journal du Dimanche. Depardieu apoiou publicamente o ex-presidente Nicolas Sarkozy na eleição de maio, vencida pelo socialista François Hollande. Para perder a nacionalidade francesa, Gérard Depardieu deverá, no entanto, iniciar um processo de solicitação de naturalização na Bélgica.
Depardieu pediu informações sobre o procedimento para obter um passaporte belga, declarou neste domingo Daniel Senesael, prefeito de Néchin, o município belga onde o ator recentemente comprou uma casa. A estrela de cinema se mudou recentemente para a cidade belga de Estaimpuis, no município de Néchin, que tem 27% da população de ricos expatriados, o que provocou uma onda de indignação na França, sobretudo em setores da esquerda que não perdoam o apoio de Depardieu a Sarkozy. Estampuis fica a um quilômetro da fronteira francesa e a apenas 20 km da cidade de Lille.
Depardieu, um dos atores franceses mais famosos em todo o mundo, é o mais recente de um clube de milionários franceses – incluindo Bernard Arnault, proprietário do grupo de luxo LVMH e homem mais rico da França – com residência fiscal na Bélgica, o que oferece grandes vantagens fiscais sem a necessidade de obter a nacionalidade belga.
Em outubro, os deputados franceses aprovaram um imposto excepcional de 75% sobre altas arrecadações, medida anunciada pelo presidente François Hollande durante a campanha presidencial e criticada pela direita como uma medida "simbólica" que vai gerar pouca arrecadação. A polêmica contribuição taxará durante dois anos os contribuintes com faturamento superior a um milhão de euros por ano, o que certamente é o caso de Depardieu. O ator é proprietário de restaurantes e vinhedos na França, Argentina e Espanha.
Para gerar ainda mais indignação entre parte da população, a imprensa revelou esta semana que Depardieu colocou à venda sua mansão em Paris, um palacete com piscina interna pelo qual pede 50 milhões de euros.
"O último milionário que sair da França apague a luz", afirmou durante a semana o jornal Le Parisien.
A imprensa aproveitou para lembrar que o intérprete de filmes como "Cyrano de Bergerac", que recentemente provocou outro escândalo ao urinar em um avião diante de outros passageiros, terá que comparecer à justiça francesa depois de ter sido detido por dirigir embriagado em Paris.