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Gael García Bernal leva a Veneza uma crítica à manipulação dos poderosos

Filme "Hombre al agua", terceiro longa de Bernal como diretor, aborda a manipulação dos poderosos no Festival de Veneza

Manuel Garcia Rulfo, a brasileira Debora Nascimento, Jorge Salinas, Gael Garcia Bernal, Esmeralda Pimentel e Diego Luna, a equipe de “Hombre Al Agua”, no tapete vermelho de Veneza
Manuel Garcia Rulfo, a brasileira Debora Nascimento, Jorge Salinas, Gael Garcia Bernal, Esmeralda Pimentel e Diego Luna, a equipe de “Hombre Al Agua”, no tapete vermelho de Veneza Foto : Stefano Rellandini / AFP / CP

O mexicano Gael García Bernal volta à direção em "Hombre al agua", apresentado neste domingo (6) no Festival de Veneza, uma fábula sobre a manipulação e a falsidade das classes mais poderosas que também conta com Ricky Martin no elenco.

Em seu terceiro longa como diretor, García Bernal interpreta Camilo, um salva-vidas cubano responsável e sonhador que salva um rico empresário mexicano de um afogamento. Como agradecimento, o magnata lhe oferece um bom emprego em sua fábrica em Yucatán.

Camilo acaba se casando com a filha do empresário e passa a viver em uma luxuosa mansão, mas, com o tempo, percebe que talvez os acontecimentos não tenham sido tão casuais quanto imaginava e que a influente família tem outros planos. A trama aborda a manipulação exercida pelos mais poderosos para tirar proveito dos mais desfavorecidos.

"Estamos vivendo um momento em que tudo é cooptado para ser capitalizado", afirmou García Bernal, de 47 anos, em entrevista à AFP ao lado de Ricky Martin."Nós nos perguntamos como chegamos a este momento em que tudo precisa ter uma função de lucro, de capitalização, também de cooptação eleitoral, como se estivéssemos vivendo constantemente em um reality show de popularidade", acrescentou.

A batalha da humanidade

Exibido na mostra Spotlight, fora da competição, "Hombre al agua" também remete a governantes que manipulam suas mensagens para conquistar votos. Sem citar líderes ou países, o ator de Amores Perros defendeu o papel da arte no enfrentamento dessas ideologias.

Segundo García Bernal, esses movimentos temem as "expressões artísticas e culturais porque elas imediatamente diluem, rompem e desativam aquilo que eles constroem de forma precária com base no medo".

O longa também busca refletir a diversidade latino-americana, com personagens brasileiros, argentinos, mexicanos, cubanos e porto-riquenhos.

Na América Latina está "a batalha da humanidade", afirmou. "Estamos definindo muitas coisas muito interessantes e, se fizermos a nossa parte, podemos fazer isso muito bem e criar um lugar muito mais justo, mais bonito".

O ator Ricky Martin

Ricky Martin, que também participa como produtor, faz uma pequena aparição como um ator que trabalha no filme dirigido pela mulher de Camilo.

"Foi divertido, porque ele [García Bernal] deixa você brincar, mas, ao mesmo tempo, você se sente muito protegido", contou o cantor. "Minha parte foi muito curta, mas ainda mexe comigo".

Para o astro porto-riquenho, vencedor de vários Grammys e com milhões de discos vendidos, apresentar o longa em Veneza é "maravilhoso".

"Estou diante das câmeras desde os 12 anos, mas, aos 54, poder dizer que é a primeira vez que faço parte do elenco de um filme no Festival de Veneza é muito importante para mim", afirmou.

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