Arte & Agenda

George Clooney protagoniza "Amor Sem Escalas"

Longa-metragem levou prêmio de melhor roteiro no Globo de Ouro

Comédia une universo pessoal com possibilidades tecnológicas e economia contemporânea
Comédia une universo pessoal com possibilidades tecnológicas e economia contemporânea Foto : Divulgação/CP
Um filme pode ser visto de várias formas, que vão da mera diversão à reflexão filosófica, humana e social. E é com essa flexibilidade que se pode encarar "Amor Sem Escalas", de Jason Reitman, uma das estreias deste final de semana. Com o cobiçado ator George Clooney como protagonista, o filme concorreu, no último domingo, em seis categorias do Globo de Ouro: melhor filme dramático, direção, roteiro, ator dramático - para Clooney - e atriz coadjuvante - para Vera Farmiga e Anna Kendrick. Só levou o prêmio de roteiro. E esse é justamente seu forte.

A trama vai num crescendo, envolvendo, aos poucos e mais, o espectador, que acompanha Clooney em suas entrevistas para informar sobre demissão em empresas por todo o território norte-americano. O envolvimento com o personagem se dá de forma natural, já que Reitman, com a experiência já vivida ao dirigir "Juno" e "Obrigado por Fumar", acertou ao reunir dramas pessoais, familiares e da economia vigente. É com estes ingredientes que ele constrói um anti-herói provocativo que transita entre as certezas de sua técnica profissional e os questionamentos sobre o valor de tudo o que fez e faz.

Tudo gira ao redor do personagem de Clooney, sem esvaziar o restante da trama. Questionar os avanços tecnológicos, as reações das pessoas ante o vazio que provoca a perda do emprego, e também observar as relações humanas, neste universo, são pontos fortes de "Amor sem Escalas". Por outro lado, pode ser visto como comédia melodramática envolvendo quarentão que foge dos compromissos e prefere a impessoalidade dos hotéis e a liberdade dos encontros furtivos.

Mas, para apimentar, Reitman coloca em cena a versão feminina do personagem de Clooney, Alex, vivida por Vera Farmiga. Do encontro surge a química entre os dois. Da química surge a necessidade de encontros. E da constância, o desejo de romper barreiras pessoais. São questões que o próprio Reitman se fez: Como passar a sua vida? Encará-la acompanhado ou sozinho? Escapar ou não? Questões do diretor e do mundo.

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