George R. R. Martin, a mente criativa responsável pela série de livros que deu origem ao megasucesso televisivo "Game Of Thrones", cuja sétima temporada estreia neste domingo, comentou em entrevista à revista norte-americana "Time" detalhes de seu processo de escrita e as adaptações das páginas para as telas. O escritor de 68 anos revelou ainda que não sabe como terminará "Winds of Winter", obra que colocará fim na sua saga "As Crônicas de Gelo e Fogo", apesar de já ter "certa ideia em mente".
Atenção, se você ainda não leu os livros ou não terminou a sexta temporada, pare por aqui porque a matéria pode conter spoilers.
"No caso de qualquer um dos meus romances, eu sei de onde eu estou começando, eu sei onde eu quero acabar, mais ou menos. Eu sei que estou construindo muitas coisas. Eu estou construindo para mim, mas descobro muito ao longo do caminho. Os personagens se levantam e parecem mais importantes, e você consegue o que você pensou que seria um grande ponto de inflexão", analisou, apontando que há sempre um processo de descoberta. "Eu sei que nem todos os escritores trabalham dessa maneira, mas comigo sempre foi assim", completou.
O escritor ainda relatou que não deixará se influenciar pela série da HBO, que na sexta temporada terminou de cobrir os acontecimentos dos cinco livros existentes da saga, cujo primeiro volume saiu em 1996. "O show desenvolveu uma vida própria neste momento. Estou envolvido, é claro, e assim tem sido desde o início, mas meu foco principal tem que ser os livros. Você deve lembrar que eu comecei a escrever essa história em 1991 e conheci David e Dan (os showrunners) em 2007. Eu vivia com esses personagens e esse mundo há 16 anos e não vou mudar nada por causa da TV ou pelo que os fãs pensam. Eu ainda escrevo a história que eu pensei em escrever no início dos anos 90", explicou.
Entretanto, ele afirmou que o sucesso do seriado, maior vencedor de prêmios Emmy da história, fez com que ele aperfeiçoasse sua escrita. "Meus livros já eram extremamente bem-sucedidos. Meus trabalhos anteriores sempre foram traduzidos, mas eu estou sendo traduzido para idiomas que eu nunca tinha ouvido falar". Martin revelou que o fato de "GoT" ser conhecido internacionalmente trouxe grande pressão. "Ao invés de apenas escrever uma história, há um pequeno ser na minha mente que diz: 'Não, tem que ser ótimo! Tem que ser ótimo! Você está escrevendo uma das fantasias mais fantásticas de todos os tempos! Essa frase é ótima? Essa decisão é ótima?'", questiona, relembrando que quando começou estava apenas tentando escrever a melhor história que pudesse.
Mudanças dos livros para as telas
As diferenças entre a versão das telas e a versão das páginas são inúmeras, mas uma marcou Martin: o fato de Catelyn Stark não retornar na adptação da HBO. "Em alguns pontos, quando David, Dan e eu tínhamos discussões sobre qual caminho seguir, eu sempre era a favor de seguir os eventos dos livros, enquanto eles eram a favor das mudanças. E acho que uma das maiores foi provavelmente quando eles decidiram não trazer Catelyn Stark de volta como Senhora Coração de Pedra. Isso foi provavelmente a maior diferença da série em relação aos livros e, sabem, eu argumentei contra isso, mas eles tomaram essa decisão", revelou.
Ele garante que foi um discussão intensa, mas que acabou cedendo por questões de hierarquia. "Na minha versão da história, Catelyn Stark retorna com uma forma de vida e se transforma em uma criatura vingativa que reanima um grupo de pessoas à sua volta e está tentando cumprir sua vingança nas terras fluviais", explicou. "David e Dan tomaram a decisão de não seguir por este caminho na história deles, seguindo outras linhas. Mas ambas são igualmente válidas, eu acho, porque Catelyn é uma personagem fictícia e não existe. Você pode contar sua história ou não", finalizou, amenizando a divergência.
George R. R. Martin comenta diferenças entre "Game Of Thrones" e seus livros
Escritor também analisou processo de escrita das "Crônicas de Gelo e Fogo"