George R. R. Martin já matou inesperadamente diversos personagens queridos em “As Crônicas de Gelo e Fogo” e defende que o mesmo ocorra em “Game of Thrones”. Isso porque o autor tem uma opinião bem simples formada sobre o assunto: qualquer história respeitada precisa de mortes impactantes.
Em uma entrevista concedida à revista online Galaxy's Edge, de ficção científica, Martin utilizou um bordão criado por ele em seu universo fictício para explicar a questão. “Um escritor, mesmo que faça fantasia, tem a obrigação de dizer a verdade. E a verdade é que, como se diz em 'Game of Thrones', todos os homens devem morrer”, afirmou, se mostrando bastante tranquilo com as surpresas que o seriado apresenta nesse sentido.
O autor foi além de suas obras e criticou tramas que não contemplem essa visão. “Todos nós já lemos uma história como essa um milhão de vezes: um bando de heróis parte para uma aventura e o protagonista, seu melhor amigo e sua namorada passam por peripécias de arrepiar os cabelos. No fim, nenhum deles morre. Os únicos que morrem são os personagens secundários. Isso é uma fraude completa. Não é assim que as coisas são. As pessoas, quando vão à guerra, perdem amigos e ficam feridas. Perdem a perna ou encontram a morte de maneira inesperada”, refletiu.
Firme em seu pensamento, Martin ainda comentou que um escritor precisa aceitar esse fato se quiser ser honesto – principalmente se estiver interessando em tratar de batalhas e conflitos. “Uma vez que aceita a morte, você deve ser honesto e saber que pode derrubar qualquer um a qualquer momento. Ninguém vive para sempre só porque é um garoto bonito, o melhor amigo do protagonista ou o herói da trama. Às vezes, o herói morre. Pelo menos em meus livros é assim. Amo todos os meus personagens, é sempre difícil matá-los. Mas tem que ser feito”, garantiu.
Além da entrevista, a edição mais recente da revista também traz um conto de ficção científica assinado por Martin e intitulado “Fast Friends” (“Amigos rápidos”, em tradução livre). Em função disso, o autor aproveitou a oportunidade para recordar os velhos tempos: em 1971, conforme ele, chegou a pagar uma taxa de 94 dólares para conseguir publicar um texto na Galaxy Magazine. “Foi bastante surpreendente vê-lo na banca de jornal, ver meu nome na impressão”, lembrou ele, que passou a veicular histórias de ficção e fantasia em revistas científicas durante aquela década, até completar o seu primeiro romance, “Morrer da Luz”, em 1977.
Para encerrar, ele aconselhou os aspirantes a escritores a não escolherem a profissão pensando em ganhar dinheiro ou ter um nome. “Se você tem que escrever, se as histórias estão em você (…) pergunte-se: 'E se ninguém me der um centavo para as minhas histórias? Ainda vou escrevê-las?'. Se a resposta for 'sim', então você é um escritor. É a única coisa que você pode fazer”. Em seguida, falou sobre a situação contrária: "Se a resposta for 'Não, eu vou parar depois de alguns anos, porque eu não estou vendendo', então talvez você deva parar agora”, finalizou.
George R. R. Martin defende mortes impactantes em “Game of Thrones”
"Às vezes, o herói morre", afirma autor