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George R. R. Martin defende mortes impactantes em “Game of Thrones”

"Às vezes, o herói morre", afirma autor

Escritor garante que histórias respeitadas devem ter mortes impactantes
Escritor garante que histórias respeitadas devem ter mortes impactantes Foto : Jason Merritt / Divulgação / CP
George R. R. Martin já matou inesperadamente diversos personagens queridos em “As Crônicas de Gelo e Fogo” e defende que o mesmo ocorra em “Game of Thrones”. Isso porque o autor tem uma opinião bem simples formada sobre o assunto: qualquer história respeitada precisa de mortes impactantes.

Em uma entrevista concedida à revista online Galaxy's Edge, de ficção científica, Martin utilizou um bordão criado por ele em seu universo fictício para explicar a questão. “Um escritor, mesmo que faça fantasia, tem a obrigação de dizer a verdade. E a verdade é que, como se diz em 'Game of Thrones', todos os homens devem morrer”, afirmou, se mostrando bastante tranquilo com as surpresas que o seriado apresenta nesse sentido.

O autor foi além de suas obras e criticou tramas que não contemplem essa visão. “Todos nós já lemos uma história como essa um milhão de vezes: um bando de heróis parte para uma aventura e o protagonista, seu melhor amigo e sua namorada passam por peripécias de arrepiar os cabelos. No fim, nenhum deles morre. Os únicos que morrem são os personagens secundários. Isso é uma fraude completa. Não é assim que as coisas são. As pessoas, quando vão à guerra, perdem amigos e ficam feridas. Perdem a perna ou encontram a morte de maneira inesperada”, refletiu.

Firme em seu pensamento, Martin ainda comentou que um escritor precisa aceitar esse fato se quiser ser honesto – principalmente se estiver interessando em tratar de batalhas e conflitos. “Uma vez que aceita a morte, você deve ser honesto e saber que pode derrubar qualquer um a qualquer momento. Ninguém vive para sempre só porque é um garoto bonito, o melhor amigo do protagonista ou o herói da trama. Às vezes, o herói morre. Pelo menos em meus livros é assim. Amo todos os meus personagens, é sempre difícil matá-los. Mas tem que ser feito”, garantiu.

Além da entrevista, a edição mais recente da revista também traz um conto de ficção científica assinado por Martin e intitulado “Fast Friends” (“Amigos rápidos”, em tradução livre). Em função disso, o autor aproveitou a oportunidade para recordar os velhos tempos: em 1971, conforme ele, chegou a pagar uma taxa de 94 dólares para conseguir publicar um texto na Galaxy Magazine. “Foi bastante surpreendente vê-lo na banca de jornal, ver meu nome na impressão”, lembrou ele, que passou a veicular histórias de ficção e fantasia em revistas científicas durante aquela década, até completar o seu primeiro romance, “Morrer da Luz”, em 1977.

Para encerrar, ele aconselhou os aspirantes a escritores a não escolherem a profissão pensando em ganhar dinheiro ou ter um nome. “Se você tem que escrever, se as histórias estão em você (…) pergunte-se: 'E se ninguém me der um centavo para as minhas histórias? Ainda vou escrevê-las?'. Se a resposta for 'sim', então você é um escritor. É a única coisa que você pode fazer”. Em seguida, falou sobre a situação contrária: "Se a resposta for 'Não, eu vou parar depois de alguns anos, porque eu não estou vendendo', então talvez você deva parar agora”, finalizou.

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