Na noite deste domingo aqueles que vibram pela produção audiovisual brasileira têm motivo especial para acompanhar a 82ª edição do Globo de Ouro, direto de Hollywood, com seu badalado momento de festa e celebração que abre o calendário de premiações do ano. A transmissão televisiva está prevista pelos canais TNT e Max, às 22h (horário de Brasília), também poderão ficar ligados pelas redes sociais.
A celebração acontece no salão de festas do hotel Beverly Hilton, de Los Angeles, com direito a jantar com champanhe e troféus aos vencedores. Claro que já é tradicional a agitação do tapete vermelho que antecede a entrega de troféus. E é assim que o Globo de Ouro abre o calendário de festas da indústria cinematográfica. Quem vota são jornalistas e críticos internacionais baseados nos EUA. Para eles cabe a exigente função de escolher os melhores do cinema e da televisão vistos em 2024. Quem lidera com maior número de indicações é o melodrama-noir queer “Emilia Pérez”, francês e falado em espanhol. Como outras produções deste momento, tem os minutos finais mais intensos e envolventes do que o restante da produção.
A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, criadora do Globo de Ouro, já marcou a premiação de outros anos escolhendo o francês “O Artista” (Michel Hazanavicius, 2012) e — causando verdadeiro furor — o coreano “Parasita” (Bong Joon-ho, 2020) como os melhores filmes do ano. O ano de 2025 marca também uma certa renovação e busca de fortalecimento do evento, projeto que promete reviver seus anos de maior glamour e prestígio. Podem surpreender ainda mais se apostarem no brasileiro “Ainda Estou Aqui”, aplaudidíssimo e elogiado filme de Walter Salles, que pode também ter um lugar entre os concorrentes ao Oscar de Filme Internacional deste ano. “Ainda Estou Aqui” concorre a melhor filme estrangeiro e a melhor atriz de drama, pela atuação marcante da genial Fernanda Torres. Nessa categoria, ela disputa o troféu com mais cinco atrizes, uma delas, a britânica Tilda Swinton, responsável pela única indicação do vencedor do Leão de Ouro veneziano ao Globo de Ouro.
A produção brasileira vai enfrentar dificuldades neste domingo, ao cruzar com as competidoras. A mais festejada é “Emilia Pérez”, mas tem outras difíceis brigas no caminho. Uma delas é a produção indiana “Tudo que Imaginamos como Luz”, de Payal Kapadya, que vem agradando muito público e críticos, além de ter a diretora jovem indicada em categoria das mais cobiçadas, a de melhor direção. Os outros concorrentes ao longa de Walter Salles no Globo de Ouro e que estão também na disputa pelo Oscar internacional são o iraniano “A Semente do Fruto Sagrado”, de Mohammad Rasoulof, representando a Alemanha; o italiano “Vermiglio”, de Maura Delpero, e o dinamarquês “A Garota com a Agulha”, de Magnus von Horn.
Líderes de indicações
Também merecem atenção outras obras com muitas indicações ao Globo de Ouro deste ano “O Brutalista”, de Brady Corbet (com sete indicações), “Conclave”, de Edward Berger (com seis), e “Anora”, de Sean Baker, e “A Substância”, de Coralie Fargeat (com cinco cada uma). E vale lembrar que “Anora” levou a Palma de Ouro, em Cannes.
O Globo de Ouro premia também os melhores da TV e do streaming, mas ainda não abriu espaço para os documentários, que estão ganhando cada vez mais força no consumo mundial de conteúdos audiovisuais. Já a atriz Viola Davis, de 59 anos, receberá o Prêmio Cecil B. De Mille por sua trajetória. Astros afro-americanos, como os concorrentes Denzel Washington e Cynthia Erivo, se somam ao filme “Nickel Boys”, de RaMell Ross, apostando em produções e artistas negros.