Celebrando 20 anos de carreira artística, o ator e diretor Eduardo Muniz pode ser visto atualmente na televisão britânica. O artista carioca integra os novos episódios da série “Silent Witness”, no ar há quase três décadas na BBC. Na trama, interpreta Rodrigo da Silva, personagem que participa do arco final da temporada. Ele já havia participado da aclamada produção americana “Grey’s Anatomy”.
Em breve, retorna à Inglaterra para um novo projeto envolvendo a mais recente obra do dramaturgo Alan Ayckbourn. Recentemente, gravou um comercial no Japão e protagonizou uma campanha global para a Ford Motor Company. Atualmente, está em Nova Iorque participando de um projeto em realidade virtual sobre a jornada de Theodore Roosevelt pela Amazônia.
Ele estreou na televisão brasileira em 2006. Também atuou em produções da Record, como “Luz do Sol”, “Caminhos do Coração” e “Amor e Intrigas”. No teatro, dirigiu montagens como “Afogando em Terra Firme”, indicada ao Prêmio APCA. Radicado nos Estados Unidos desde 2011, vive em Los Angeles com a atriz e produtora Bia Borinn, desenvolvendo projetos internacionais no cinema, na televisão e no teatro.
Estás completando 20 anos de carreira artística. Como foram esta trajetória?
Tem sido uma aventura e tanto. O mais desafiador para mim é esse equilíbrio entre a carreira e a família. Quando meu primeiro filho nasceu, eu tinha acabado de terminar uma turnê de peça em Brasília. Ele nasceu quatro dias depois que voltei para São Paulo. O segundo nasceu cinco dias depois de voltar para Los Angeles após 20 dias filmando um longa na Amazônia. Ou seja, por muito pouco eu não perdi os dois dias mais felizes da minha vida. No fim do dia, para mim a família vem primeiro, e já tive que fazer muitos sacrifícios para ser um pai e marido mais presente. Outra coisa interessante que acontece depois de 20 anos, é que a vida já me deu e me dá tanta porrada, que estar num set ou no palco é um alívio. Poder viver outro personagem é um descanso.
Te arrependes de algo? Farias algo diferente?
Não sou muito de olhar para trás. Porém, tem uma coisa que faria diferente. Eu não fui ensinado a lidar com dinheiro. Investimento para mim era coisa de gente rica. E como vida de artista é uma montanha russa no sentido financeiro, é ainda mais importante juntar, poupar, investir… Demorei muito para entender isso.
Moras em Los Angeles desde 2011. A carreira internacional sempre foi um objetivo?
Nunca foi o objetivo. Na verdade, a ideia de sair do Brasil foi justamente pra poder trabalhar menos e não mais. A ideia era ficar um ano em Nova Iorque. Depois ficamos mais um ano. E depois mais um. Aí veio o segundo filho, que nasceu aqui. A ideia de trabalhar como ator por aqui só tomou forma depois da pandemia, quando o Matteo tinha idade para ir para uma creche, em 2022. Nesse mesmo ano fiz “Grey's Anatomy” e aí as portas se abriram um pouco mais.
Como latino, como foi tua adaptação no mercado estrangeiro?
Os Estados Unidos é um país de imigrantes, né? O público latino aqui é enorme. Nossa comunidade é muito grande. Porém, a maior dificuldade, sem dúvida, foi o idioma. Porque eles olham a minha foto e assumem que eu falo espanhol. E eu não falo espanhol — no máximo um portunhol “mequetrefe” (risos). O brasileiro é meio sem lugar aqui, não é totalmente encaixado no "latino". Mas tenho notado uma abertura maior para personagens latinos que não precisam necessariamente ser fluentes em espanhol.
Estamos en um momento em que os artistas e as produções brasileiras estão sendo mais reconhecidos pelo mundo. Essa nova perspectiva sobre a arte brasileira já impactou na tua carreira?
Sinceramente acho que não. Não acho que tive nenhum teste porque a diretora de casting viu meu perfil e falou "olha, um brasileiro". As coisas podem começar a mudar quando mais personagens brasileiros forem escritos — ou personagens sem uma definição específica de lugar.
Já participaste de episódios de “Grey’s Anatomy”. Como foi ter feito parte desta série americana tão aclamada?
Ah, foi maravilhoso! Primeiro dia de set sendo dirigido pela Debbie Allen, que é uma lenda da TV americana? Um sonho. Brinquei com o Beto Skubs — que escreveu o personagem e é doido por futebol que nem eu — que estava me sentindo jogando uma partida de Champions League.
Acreditas que este trabalho é um divisor de águas na tua trajetória?
Sem dúvida. “Grey's Anatomy” até hoje abre portas para mim por aqui.
Teu novo trabalho é na série britânica “Silent Witness”, que faz sucesso há décadas na Inglaterra. Que diferença notaste entre este projeto e o dos Estados Unidos?
A Inglaterra tem uma tradição de teatro de mais de 600 anos, então praticamente todos os atores vieram do teatro ou ainda estão no teatro. As conversas de bastidores giravam em torno dessa cultura. Nos Estados Unidos esta cultura é forte em Nova Iorque, mas não é tão presente em Los Angeles.
És carioca e fez participações em algumas produções da TV brasileira, como “Mutantes”, da Record. Pretende retomar a carreira aqui?
Recentemente tive algumas consultas para trabalhar no Brasil. Estou vendo com muito carinho e com muita saudade esta possibilidade.
E o que ainda sonhas fazer?
Meu sonho, quando decidi virar ator, era fazer cinema. Eu já fiz alguns filmes, mas todos em inglês. Gostaria muito de fazer um filme em português!