Dos erros registrados no evento, um foi verificado quinta à noite, quando o filme "O Som ao Redor", de Kléber Mendonça Filho (PE), teve exibição interrompida por problemas no áudio. Em certo ponto, o som ficou ininteligível, sem compreensão do diálogo entre os personagens. A plateia e a equipe do filme reclamaram, em meio à sessão, até que foi cancelada a exibição.
Conforme o responsável técnico pelas exibições, José Luis de Almeida, o problema ocorreu pela queima do driver da caixa central do equipamento, responsável por altas frequências do som da sala. Os reparos foram feitos e houve a reprise habitual, às 10h de ontem, e mais uma extra, às 14h. Sobre sentir-se prejudicado na competição, Kléber disse ter percebido que muitos jornalistas e público foram para a reprise, minimizando um pouco sua insatisfação.
"Uma sessão de cinema é sempre uma coisa muito sagrada e interrompê-la é chato", lamentou, criticando ainda questões técnicas da exibição, como a falta de foco. Independentemente da fatalidade, foi bem recebido pela crítica.
Apresenta o cotidiano de moradores de uma rua de classe média do Recife que passa a contar com o serviço de seguranças privados, liderados pelo personagem de Irandhir Santos ("A Febre do Rato"). Aborda, por mosaico de personagens, problemas como especulação imobiliária, falta de critério para algumas demolições e a relação entre patrões e empregados.
Kléber diz que gosta de perceber o som de cada cidade e, desta forma, o áudio tem papel fundamental na história. "Busquei fazer um filme na linha do realismo social, mas em momentos ele se aproxima do terror", disse, revelando que uma influência é o cineasta John Carpenter.