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Greta Thunberg é tema de documentário no Festival de Veneza

"Sou Greta" traça a trajetória da jovem sueca desde que ela, aos 15 anos, começou uma greve estudantil

Greta Thunberg, segura um pôster dizendo "Greve escolar pelo clima" em frente ao Parlamento sueco
Greta Thunberg, segura um pôster dizendo "Greve escolar pelo clima" em frente ao Parlamento sueco Foto : FREDERIK SANDBERG / TT NEWS AGENCY / AFP / CP

A jovem ativista do clima Greta Thunberg confessou nesta sexta-feira em um documentário apresentado no Festival de Cinema de Veneza que se sente, acima de tudo, uma menina "'nerd' e tímida", que pensa por si mesma, embora sobrecarregada de responsabilidades. 

Com o título "Sou Greta" (tradução livre), o documentário do sueco Nathan Grossman, apresentado como evento especial, traça a trajetória da jovem sueca desde que em 2018, aos 15 anos, ela iniciou uma greve estudantil pelo clima em frente ao Parlamento de seu país. 

"Algumas pessoas espalham teorias da conspiração, dizem que não penso nem falo por mim ou que outras pessoas escrevem os meus discursos. Com este filme, podem ver que não é verdade”, explicou à AFP durante uma videoconferência organizada pelo Festival de Veneza. 

O documentário alterna imagens de manifestações, marchas e encontros que a jovem manteve com líderes mundiais, como o papa Francisco e o presidente francês Emmanuel Macron, com cenas de sua vida íntima, em seu quarto ou cozinhando um bolo com sua mãe. 

As inúmeras sequências de trens tomados à noite com seu pai para cruzar metade da Europa oferecem a medida do compromisso da jovem com a crise climática que está atingindo o planeta. 

Grossman, que disse ter conseguido fazer imagens desde o primeiro dia por pura sorte, revelou que demorou "vários meses" para perceber o carisma e a amplitude da mobilização para o clima que a jovem tinha gerado. 

"Eu entendi que ela não estava fazendo tudo isso para ser famosa ou ter sucesso nas redes sociais. Ela é realmente apaixonada pelas mudanças climáticas", disse.

- "Como sou e não como dizem que sou" -

O documentarista, que a seguiu como sua sombra por um ano, conseguiu "me retratar como sou e não como a mídia diz que sou", disse a jovem sueca. 

"Não sou a menina ingênua e raivosa que grita com os líderes mundiais na assembleia geral das Nações Unidas, sou uma pessoa tímida e nerd", confessou Greta Thunberg em uma espécie de autodefesa contra as críticas de seus críticos. 

Entrevistada pela mídia de todo o mundo, com mais de 4 milhões de seguidores no Twitter, a jovem com tranças loiras agora quer que a mídia se concentre menos nela e mais no clima. 

No entanto, tem consciência de que se tornou "uma espécie de ponte para que as pessoas identifiquem e compreendam melhor a crise climática", confessou. 

No filme, em que mostra força de vontade, a jovem, que sofre da síndrome de Asperger, também revela suas frustrações, medos e desânimos. "É uma grande responsabilidade, que eu não quero ter", diz entre soluços, em meio às ondas furiosas do Atlântico, enquanto navegava em um barco que tomou em Nova York. 

A luta contra as mudanças climáticas "é tarefa dos adultos, não dos jovens. Foram os governantes que provocaram esta crise!", lamenta a jovem no filme ao apresentar o filme. 

Dois anos após o início da mobilização, em um mundo abalado pelo coronavírus, Greta Thunberg voltou às aulas, embora garanta que continuará lutando contra as mudanças climáticas. 

"Precisamos de mais ciência para fazer mais pesquisas, mas acima de tudo devemos agir imediatamente, no nível político, para mudar as normas sociais", acrescentou antes de desligar para voltar à escola.

© Agence France-Presse

 

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