Para celebrar os 120 anos de nascimento de Erico Verissimo, completados em 17 de dezembro passado, o Grupo Cerco retorna aos palcos da Capital com remontagem do espetáculo “Incidente em Antares”. As apresentações ocorrem no Teatro de Câmara Túlio Piva (República, 575) de 17 a 26 de abril (sextas e sábados, 20h, e domingos, 18h). Ingressos na Sympla.
Considerada como pertencendo ao Realismo Mágico, “Incidente em Antares” (1971) foi uma das últimas criações do escritor gaúcho. Dividida em duas partes (Antares e o Incidente), a obra gira em torno de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul que tem a sua rotina completamente virada de cabeça para baixo após uma greve geral. Com a paralisação, inclusive, de funcionários do cemitério, sete cadáveres se levantam dos seus caixões e reclamam por seus direitos a um enterro decente.
O espetáculo é baseado na segunda parte do clássico romance, transportando o público à fictícia cidade de Antares às vésperas da ditadura militar. Revoltados, os defuntos promovem um confronto público entre mortos e vivos. Em praça pública, revelações sobre a hipocrisia, a corrupção e a podridão da elite local vêm à tona, num retrato mordaz e ainda atual da sociedade brasileira.
Com direção de Inês Marocco e adaptação cênica assinada pelo próprio Grupo Cerco, a montagem recebeu importantes prêmios, como o Prêmio Braskem em Cena de Melhor Espetáculo e o Prêmio Açorianos de Teatro de Melhor Trilha Sonora, além de diversas indicações. O espetáculo reafirma sua potência crítica e artística e a relevância da obra de Erico Verissimo frente aos dilemas contemporâneos.
“Incidente em Antares” recebeu os prêmios Braskem em Cena 2012 de Melhor Espetáculo (júri popular), Melhor Direção e Melhor Atriz (Martina Fröhlich); Açorianos de Teatro 2012 de Melhor Trilha Sonora e sete indicações de Melhor Espetáculo (júri oficial e popular), Direção, Atriz, Atriz Coadjuvante, Dramaturgia, Figurino e Produção.
“Incidente em Antares” é uma adaptação da segunda parte do romance homônimo de Erico Verissimo. A história situa-se no contexto pré-ditadura militar do Brasil, retratada numa cidade fictícia do interior do RS chamada Antares. O espetáculo inicia-se em 1963, quando uma greve geral paralisa a cidade. Dois dias depois, em uma sexta-feira 13, sete pessoas morrem por diferentes causas e não são sepultadas, pois os coveiros aderiram à greve. Indignados, os defuntos levantam-se de seus esquifes e reclamam por seu enterro, invadindo a cidade. Vivos e mortos passam a discutir a vida social e política de Antares, desvelando a podridão e a hipocrisia das autoridades e habitantes locais. Revelações que poderiam transformar a sociedade e seus indivíduos, mas que sucumbem à força da alienação e dos interesses políticos de uma minoria.
O elenco atual é formado por Anildo Böes, Camila Falcão, Elisa Heidrich, Endrius Prates, Filipe Rossato, Gabriela Lery, Ilubomsè, Kalisy Cabeda, Manoela Wunderlich, Marina Kerber, Martina Fröhlich, Paulo Roberto Farias e Philipe Philippsen. A trilha sonora é Philipe Philippsen, Celso Zanini e Martina Fröhlich.