Numa obra em que a ocupação do espaço reflete a intermitência e a dubiedade diabólicas operadas no tempo da música de Lenine, a possibilidade de criar uma série de duos femininos atuou como lenitivo e respiradouro necessários tanto à criação coreográfica de Pederneiras, quanto à execução dos movimentos pelos bailarinos. A arquitetura cênica conta com 15 quilômetros de cabos de aço, e é uma poderosa metáfora das limitações impostas à equipe de criação, que teve de superar limites para a construção dos espetáculos.
“Onqotô” mostra a perplexidade e a inexorável pequenez do homem diante da vastidão do universo. A trilha sonora, assinada por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik, tem como ponto de partida uma bem-humorada discussão sobre a “paternidade” do universo. De um lado, a Teoria do Big Bang; do outro, as máximas espirituosas de Nelson Rodrigues.