Arte & Agenda

Grupo Corpo retorna a Porto Alegre com novo espetáculo

Companhia mineira se apresenta nos dias 22 e 23 de setembro no Teatro do Sesi

´Sem Mim´ será apresentado em setembro
´Sem Mim´ será apresentado em setembro Foto : José Luiz Pederneiras / Divulgação / CP
O mar (de Vigo), "que leva e traz de volta o amado, o amigo", é o que está no centro da trama de movimentos do balé "Sem Mim", que será apresentado nos dias 22 e 23 de setembro, no Teatro do Sesi, em Porto Alegre. Com coreografia de Rodrigo Pederneiras, cenografia e iluminação de Paulo Pederneiras e figurinos de Freusa Zechmeister, a mais recente criação da companhia mineira de dança Grupo Corpo é embalada pela trilha original trabalhada a quatro mãos pelo músico e compositor viguês Carlos Núñez e pelo paulista José Miguel Wisnik. O elemento sonoro surge a partir das únicas peças do cancioneiro profano medieval galego-português que chegaram aos dias atuais com as respectivas partituras de época: o ciclo do mar de Vigo, de Martín Codax.

São sete canções, datadas do século XIII, que surgem como testemunho mais antigo e estão entre as mais apreciadas sobreviventes de uma das vertentes da tradição trovadoresca da região na época: as chamadas "cantigas de amigo". Nelas, o poeta se pronuncia sempre em nome da mulher; mais especificamente de jovens apaixonadas que pranteiam a ausência ou festejam a iminência do regresso do amado-amigo. A lírica do trovador medieval viguês é a inspiração para Rodrigo Pederneiras pautar sua elaboração de movimentos, que se alternam entre calmaria e fúria e no vaivém próprios das ondas do mar. Destaque, ainda para a (re)produção, no jogo de cena, do apartamento entre feminino e masculino, onde um(a) reclama sempre a falta do outro.

Na primeira parte do programa será apresentada "Benguelê", de 1998, exaltação ao passado africano e às suas raízes na cultura brasileira. A música foi especialmente composta por João Bosco, fazendo com que o espetáculo ganhe uma força criativa ainda mais intensa. É o momento em que se introduz na dança contemporânea, apresentada pelo grupo, sequências de capoeira e gestos das danças de festas de São João e dos Congados. A coreografia de Rodrigo Pederneiras dá intensidade ao Banzo de Benguela, uma das possíveis origens etimológicas da palavra benguelê: "Saudade das terras livres e férteis do longínquo reino africano". São pouco mais que 40 minutos e 11 temas criados por Bosco.

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