O Museu de Arte do Paço (MAPA) (Praça Montevidéu, 10) inaugura hoje, das 18h30 às 20h, na Sala Leste, a exposição “Aerofilia, gravedad y viento”, com curadoria de Morgana Silveira Bartz. A visitação segue aberta ao público até o dia 24 de outubro, de segunda à sexta, das 9h às 17h, com entrada franca.
A mostra é fruto das ideias do Circuito Cavilantes, um grupo formado por artistas colombianos egressos da Universidad Nacional de Colombia e convidados, que explora a tensão entre aerofilia, gravidade e vento como conceitos poéticos e forças que moldam o corpo e a prática artística.
Iniciada na Colômbia, no Museo de Arte Contemporáneo e no Jardim Botânico de Bogotá, a exposição que chega agora a Porto Alegre, com a inclusão da artista brasileira Verônica Spnela, aprofunda a reflexão sobre o ar como território simbólico e espaço poético e político.
As mais de 20 obras apresentadas convidam o público a experienciar o desequilíbrio criativo, onde o ar se torna uma linguagem comum e a arte, uma respiração partilhada, sugerindo que viver é, de alguma forma, flutuar entre o desejo e o limite, a memória e o porvir.
Os artistas Ser Jiménez, Ilvar Carantón, Carlos Cuéllar, MC Galindo-Oñate, María Teresa Cruz, Asdrúbal Medina e Verônica Spnela contribuem com suas perspectivas sobre esse “entre-lugar” de suspensão e leveza.
Curadoria
“Aerofilia, gravedad y viento” são mais do que conceitos poéticos que atravessam esta exposição: são forças que tensionam o corpo, o pensamento e o gesto artístico. A exposição nasce do circuito Cavilantes, grupo de artistas colombianos cuja prática se constrói no movimento.
A exposição é parte de um percurso iniciado na Colômbia, onde “Aerofilia” foi apresentada no Museo de Arte Contemporáneo de Bogotá e no Jardim Botânico de Bogotá. Nestes espaços, já inaugurava uma reflexão sobre o ar como território simbólico, tensionado entre o poético e o político. Agora, ao atravessar fronteiras e encontrar nova configuração, a mostra segue seu trajeto em Porto Alegre, conectando práticas e sensibilidades latino-americanas.
Nessa travessia coletiva, marcada por camadas de cor, sopros de memória, experimentações formais e atmosferas em suspensão, emerge também uma dimensão de um encontro transnacional: nesta edição, o grupo acolhe uma artista convidada do Brasil, estabelecendo um diálogo entre práticas latinas que podem compartilhar a mesma pulsação sensível.
Para a curadoria, as obras desta exposição pairam nesse “entre-lugar”. São corpos alados, geografias de cor, raízes aéreas, máscaras que só se sustentam se olharmos para cima. A aerofilia, nesse contexto, não é apenas amor pelo ar: é uma forma de estar no mundo. É leveza como escolha, desapego como estética, suspensão como linguagem. Mas todo voo convive com a gravidade, que se impõe como memória, como matéria, como chão que insiste. E entre esses dois extremos dança o vento: presença invisível que move, atravessa e transforma.