Arte & Agenda

Grupo Galpão estreia “Histórias de Confinamento”

Experiência virtual foi criada a partir de relatos enviados pelo público e pode ser conferida até 29 de novembro, de sextas a domingos, às 20h

Atriz Teuda Bara
Atriz Teuda Bara Foto : Teuda Bara

Uma das mais importantes companhias de teatro do Brasil, o Grupo Galpão vem adaptando seu processo de criação à realidade virtual em tempos de pandemia, tendo iniciado em maio, uma  campanha online em que convidava o público a compartilhar relatos, reais ou fictícios, do cotidiano em quarentena. Desse material nasce “Histórias de Confinamento”, experiência virtual que tem como intuito retratar, por meio do teatro, as vivências comuns desse período atípico. O trabalho audiovisual tem direção de Eduardo Moreira e Inês Peixoto, integrantes do grupo, e de Thiago Sacramento, designer, videomaker e artista gráfico. Serão 6 apresentação, ao vivo, veiculadas no canal oficial do Galpão no Youtube, desta sexta, dia 20 até 29 de novembro, de sexta a domingo, sempre às 20h. Os vídeos serão retirados do ar 15 minutos após o final de cada sessão. O acesso é gratuito e sem ingresso, mas quem quiser apoiar financeiramente a temporada de estreia do projeto, pode fazer sua contribuição no www.sympla.com.br/grupogalpao.

Um relato que poderia ser real, imaginário, cômico, dramático, trágico, absurdo, lírico, prosaico, pessoal ou sob qualquer ponto de vista. Foi assim que o Grupo Galpão convidou o público a participar do Histórias de Confinamento e assim ajudar a criar uma narrativa, por meio do teatro, desses tempos de pandemia. “O teatro é o retrato de uma época. Como artistas e cidadãos, é nossa tarefa testemunhar e relatar este momento, com senso de observação e verdade, mas sem abandonar a imaginação, nossa matéria prima essencial”, diz Eduardo Moreira, um dos diretores do projeto. Foram enviados quase 500 textos de várias partes do Brasil e selecionados 18 relatos, que serviram de base para uma teia narrativa confeccionada por diversas cenas da vida privada em isolamento social. “O ponto de partida é o olhar do homem comum, do nosso público que nos acompanha e que estabeleceu uma afetuosa e constante relação com a nossa trajetória artística”, comenta a codiretora Inês Peixoto.

“Histórias de Confinamento” esmiúça a geografia do privado, com enquadramentos que buscam os recônditos da casa de cada ator, em detalhes de banheiros, cozinhas, áreas de serviço, quartos, camas, janelas. Em todas as histórias o que emerge é a solidão de seres confinados que buscam sempre refúgios e saídas nos pequenos gestos e nos objetos do cotidiano. As encenações serão realizadas ao vivo - via plataforma de videoconferência e veiculado no Youtube do grupo - com cada ator e atriz em casa. O material será editado também ao vivo por Thiago Sacramento. “É uma forma de preservarmos e matarmos as saudades do espírito de presentificação, que é tão intrínseco ao fazer teatral”, complementa Inês.
Essa não é a primeira vez que o Galpão conta com a participação do público na construção da dramaturgia de um espetáculo. Em “Pequenos Milagres” - de 2003, dirigido por Paulo de Moraes – o convite foi para enviar textos sobre acasos que celebram o mistério de viver. Agora, o confronto é com o espírito de resiliência e a vontade de estar vivo em meio a uma distopia que, com frequência, nos remete a um sentimento de carência de sentidos e de esperanças.

 

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