As Edições Sesc SP lançam “Grupo Galpão: tempos de viver e de contar”, que narra a trajetória de uma das mais importantes companhias da história do teatro brasileiro. Organizada por Eduardo Moreira, o livro conta com ensaio assinado pelo crítico Valmir Santos, além de imagens que ilustram uma rica iconografia de bastidores e espetáculos. O lançamento ocorrerá hoje, às 19h, Youtube do Sesc SP, em bate-papo transmitido pelo Youtube do Sesc Pinheiros com participação de Eduardo Moreira, fundador e diretor artístico do coletivo, além de organizador do livro e Inês Peixoto, atriz, diretora, dramaturga.
Nas 351 páginas, histórias e bastidores da lendária companhia mineira que de Belo Horizonte para o mundo, sempre mesclou influências dos clássicos da dramaturgia ocidental, da cultura nacional e da voz das ruas, formatando um dos mais ricos portfólios das artes cênicas. Fundado em 1982, por Teuda Bara, Wanda Fernandes e Antônio Edson e Eduardo Moreira, dos porões da Fafich (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG) às ruas e aos palcos, o Galpão ganhou forma a partir de um elenco que reuniu, espontaneamente e sem vínculos enquanto grupo, para um rígido curso com diretores alemães (do Freis Theater München, que vieram ao Brasil a convite do Instituto Goethe), o que lhes deu a primeira experiência enquanto coletivo e poderosa base na arte da interpretação. A consistência do grupo, entretanto, se deu por interesse próprio em dialogar com formas não acadêmicas – fato notável em suas memoráveis apresentações.
Peças icônicas e seus processos de concepção ou montagem ganham atenção, como "Romeu e Julieta", sob a direção de Gabriel Villela, que ganha detalhes de bastidores e conta todo movimento de superação do grupo à morte de Wanda Fernandes, então esposa do ator, vítima de acidente de carro no retorno de uma das apresentações da peça. Outro destaque está na narrativa sobre a primeira peça da trupe com direção de um de seus integrantes fixo – o próprio Eduardo Moreira –, "Um Molière imaginário". Outra atração do livro está nos excertos de críticas e de artigos de jornais publicados à época de cada período de atuação do coletivo
A organização linear do texto ajuda a relacionar a atividade do grupo com variados momentos da história contemporânea do Brasil. Essa linha do tempo também permite, com auxílio de um vasto acervo fotográfico e também de excertos da crítica especializada, a localização dos encontros marcantes do grupo com figuras centrais da produção cultural do país, entre eles Paulo José e Eduardo Coutinho. a fundação do Galpão Cine Horto. O local, antigo cinema de bairro, virou um centro cultural especializado em teatro e comandado pela companhia desde 1998. A estrutura é referência nacional na formação de artistas e na oferta de oficinas e debates.