Arte & Agenda

Grupo Galpão apresenta sua visão de “Ensaio sobre a Cegueira”

De hoje a domingo, a companhia mineira com 43 anos de trajetória exibe montagem da obra de José Saramago

“(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, espetáculo mais recente da companhia, entra em cartaz nesta sexta-feira, no Teatro Simões Lopes Neto
“(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, espetáculo mais recente da companhia, entra em cartaz nesta sexta-feira, no Teatro Simões Lopes Neto Foto : Guto Muniz / Divulgação / CP

A importância de ver além dos olhos, quando metaforicamente uma parte da população está cega. Esta pode ser uma das variáveis de “Ensaio sobre a Cegueira”, livro lançado em 1995 pelo escritor português José Saramago. Com 43 anos de trajetória, o Grupo Galpão se colocou no desafio de dar a sua visão sobre o texto, a partir de proposição, dramaturgia e direção de Rodrigo Portella. “(Um) Ensaio sobre a Cegueira” é o espetáculo mais recente da companhia mineira e entra em cartaz de hoje a domingo (hoje e amanhã, 20h, e domingo, 18h) no Teatro Simões Lopes Neto do Multipalco Eva Sopher (Riachuelo, 1089), com poucos ingressos restantes no site do Theatro São Pedro.

Na clássica obra de Saramago (Nobel de Literatura em 1998), uma epidemia assola a cidade, privando seus habitantes de enxergar o mundo. Em tal contexto, questões ligadas à moral, à ética e à vida em comunidade são postas em xeque. Contada por meio da prosa ensaística de Saramago, a história sobre a “cegueira branca” que se espalha em diversas partes do mundo não é apenas uma meditação sobre a perda e a fragilidade humanas, mas uma potente alegoria acerca dos frágeis limites éticos que nos separam da barbárie. “A obra revela o modo como, em um mundo despojado das aparências, enxergamos, realmente, quem somos e o que, em essência, significa ser humano”, destaca Portella.

Ator e um dos fundadores do Galpão, Eduardo Moreira ressalta que a parceria com Rodrigo Portella e o projeto de adaptação do romance foi entusiasticamente recebida pelos atores e por toda a equipe. “Infelizmente é um romance que se tornou mais atual do que na época em que foi escrito, porque toda esta coisa das redes sociais, das fake news, dos algoritmos, torna mais assustador esta epidemia de cegueira que o ser humano está vivendo com a ascensão de uma extrema direita muito selvagem. Nesse processo, a gente foi criando possibilidades inéditas, com um ingresso participativo, com pessoas do público participando com a gente do coro que está no manicômio”, conta.

A atriz Inês Peixoto lembra que esta participação tem a ver com a história do Galpão e a ligação com o teatro de rua. “A gente tem uma ligação muito forte com o nosso público, até nos momentos de criação. Vários espetáculos partiram de parcerias com o nosso público. No ‘Cabaré Coragem’ a gente borra esta fronteira atores/público. No Ensaio, quem se oferece para esta experiência, constrói o espetáculo junto com a gente”, explica.

Segundo Eduardo, o teatro do Galpão está sempre em construção. “Nós nos colocamos como aprendizes, nessa perspectiva, num processo libertador, que revela nossos limites, ao mesmo tempo em que nos convida a viver novas experiências de risco e experimentação. “Estreamos este ano em Belo Horizonte e Porto Alegre é a primeira cidade do país que está recebendo o espetáculo depois de Minas”, recorda Eduardo, lembrando que Porto Alegre e Canela foram a primeira grande viagem da Veraneio do grupo, no final dos anos 1980, com a apresentação dos espetáculos “A Comédia da Esposa Muda” e “Corra Enquanto é Tempo”. “Depois, esta Veraneio acabou sendo o cenário do nosso ‘Romeu e Julieta’, que fez tanto sucesso em 1992”, finaliza Eduardo.

Confira a entrevista na íntegra:

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