O grupo paulista Tablado de Arruar se inspirou em telenovelas, nos filmes de Almodóvar e Fassbinder e na obra de Brecht, para criar "Helena Pede Perdão e é Esbofeteada", com exibição no Largo Glênio Peres, hoje e amanhã, 15h. Escrita por Alexandre Dal Farra e dirigida por João Otávio, a peça tem apoio da Lei de Fomento de São Paulo e Prêmio Myriam Muniz, integrando o projeto Atentados, cujo mote é a busca de uma linguagem violenta e destrutiva, à altura do cotidiano de uma metrópole.
Helena e seu marido Augusto vivem um momento de crise, após a falência e hipoteca da casa. Eles são vítimas de Mary e Jack, que invadem seu lar, colocando-se inicialmente como assaltantes. Mas, na verdade, são extremistas, em busca de adesões para seu movimento pseudoterrorista. Os quatro saem para agir, mas dá tudo errado e o grupo acaba, resultando na troca entre os casais. A comédia se passa em lugares de passagem e privados e é registrada numa câmera, cujas cenas são transmitidas numa televisão instalada na rua. Para alinhavar a trama, a trilha sonora traz canções bregas dos anos 80, que inclui Nelson Ned, Reginaldo Rossi e a cantora cega Katia.
A peça estreou no Festival de Teatro Aberto, em Campos dos Goytacazes (RJ) e passou por Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. "Lidamos com todas as coisas que estão impregnadas em nossa cabeça, sem que se queira, como as novelas e até algumas músicas", diz Dal Farra sobre a montagem, que mescla violência e humor. Ele esclarece que seu grupo trabalha com teatro de rua de forma diferenciada da tradicional, que usa palhaço e commedia dell''arte, aproximando-se mais da performance e intervenção urbana.
Grupo paulista exibe peça no Largo Glênio Peres
"Helena Pede Perdão e é Esbofeteada" é inspirada em telenovelas, Almodóvar e Fassbinder