Axl Rose não tem mais o corpo esbelto que remexia no palco e em videoclipes, pois ao mínimo acorde da guitarra precisa do parceiro Slash. Claro, está bem mais magro do que em sua última aparição no Brasil, quando chegou a ser apelidado de "baleia branca". Com seus 48 anos, a voz também já tem dado sinais de desgaste e seu temperamento continua como um estudo de caso. Já brigou com meio mundo, não quer que ninguém pronuncie o nome de Slash perto dele e entrevistas são cada vez mais raras e complicadas.
Mas o que poderá ser conferido na noite de hoje, a partir das 21h30min, no palco especialmente montado no estacionamento da Fiergs, não será apenas o primeiro show do Guns N' Roses em Porto Alegre, o que, por si só, já é histórico. Será também a oportunidade de conferir algo que Axl em nenhum momento de sua carreira abandonou: a fidelidade ao hard rock, gênero que, embora datado, ainda tem fôlego e muitos, mas muitos fãs.
O Guns que toca esta noite está longe de se parecer com aquele da clássica formação, mesmo que o set list aponte para os grandes hits do auge da banda, como em Sweet Child O' Mine, Welcome to the Jungle, You Could Be Mine e November Rain. Axl se cercou de respeitáveis músicos, a maioria completamente desconhecida por aqui, mas que já ganhou a simpatia dos brasileiros.
É o caso de um dos três guitarristas, o tatuadíssimo DJ Ashba. É ele que corre o tempo todo no palco, distribui sorrisos e protagoniza os melhores momentos de interação com o público. Ele parece ser a antítese de Axl, que, no show do último sábado, em São Paulo, desatou em xingamentos já na primeira música. Desrespeitosamente, alguém arremessou uma garrafa de água no vocalista, que se enfureceu. Ele parou o show, mas logo depois disse a que veio, "proporcionar uma noite de diversão". E essa é máxima do hard rock, expressa por bandas como o próprio Guns, Skid Row, do vocalista Sebastian Bach, que também se apresenta esta noite, e outras como Mötley Crue (que ainda deve uma apresentação no Brasil), Poison, Cinderella e pela gaúcha Rosa Tattooada, que esteve com o Guns naquela primeira tour pelo Brasil, em 1992, e que estará abrindo o show, junto com a Tequila Baby, ambas a partir das 19h.
O Rio de Janeiro ficou sem ver a apresentação da banda. As fortes chuvas de domingo danificaram uma parte do palco e, ontem mesmo, o próprio Axl, por seu Twitter, lamentou o cancelamento do show, que poderá acontecer no início de abril.
A passagem do Guns pelo Brasil tem arrancado posições extremas, de público e crítica. O atraso do show é a principal reclamação. Axl tem subido ao palco geralmente nos primeiros minutos do dia seguinte. Há quem também aponte o show como cheio de clichês como explosões no palco, chuva de papel picado e o tradicional e sempre emotivo uso da bandeira brasileira. Bandas "queridinhas" da atualidade também fazem isso e nem por isso deixam de fazer bons shows.
Os shows da turnê Chinese Democracy, um dos álbuns mais polêmicos do mundo do rock, mais por sua demora em sair e custo do que propriamente por seu conteúdo, podem não mostrar Axl em seu melhor momento. E chega a ser maldosa a colocação de que o melhor seria chamar a banda de "Axl e seus funcionários". O Guns que está aí tem muito mais a mostrar.
Guns N´Roses prova que o hard rock não morreu
Banda se apresenta nesta terça-feira no estacionamento da Fiergs, em Porto Alegre