"Esse é o princípio da coleção: a reciclagem", disse o estilista, que desfila há quatro anos a convite da federação do ramo no seleto e elitista grupo da Alta-Costura, que segue padrões rígidos como a obrigatoriedade de que as peças sejam costuradas a mão, únicas e sob medida. Esta coleção, a 17ª apresentada por Gustavo Lins nas passarelas de Paris, onde também desfilou coleções prêt-à-porter, foi elegante e chique, mas extremamente fácil de usar. Lins criou para a temporada outono-inverno 2011-2012 vestidos em forma de túnica, leves para o dia, voluptuosos para a noite, com decotes atrevidos nas costas e recortes que valorizavam o corpo das modelos. Um casaco feito com retalhos de vison e couro e um tailleur com saia e jaqueta em crepe japonês completavam os looks do desfile. Nos pés, scarpins pretos, sérios e elegantes.
Os vestidos, feitos com tecidos suaves, eram leves "como para serem colocados rapidamente ao sair da piscina", disse o estilista. "Queria criar vestidos fáceis de usar, que envolvessem o corpo como uma toalha", disse Lins, acrescentando que os looks foram feitos com grandes quadrados de tecido. "Não há círculos em minha coleção, só quadrados e cortes diagonais".
A paleta de cores era característica de Lins: branco, preto, cinza e azul. Mas o estilista inovou desta vez, com cores que evocavam seu Brasil natal, como amarelo, verde limão, lima e azul turquesa. O toque diferente nesta coleção foi o uso de camisas, jaquetas, vestidos e casacos cortados diretamente no tecido, sem moldes, explicou Lins, cujas criações se caracterizam por uma modelagem apurada.
O brasileiro aprendeu a técnica da moulage, em que o tecido é cortado e alinhavado no próprio corpo da modelo, trabalhando como aprendiz em grandes maisons parisienses como as francesas Louis Vuitton e Jean Paul Gaultier, a japonesa Kenzo, e principalmente com o estilista britânico John Galliano, talentoso ex-diretor artístico da maison Dior.
Este é o quarto ano consecutivo que a Câmara de Alta-Costura parisiense, que organiza os desfiles e estabelece os estritos critérios para o título de "maison", convida Lins para desfilar. Isto quer dizer que neste momento Lins poderia se transformar em membro titular desse seleto grupo, do qual fazem parte grandes nomes da moda mundial como Dior, Chanel, Jean Paul Gaultier, Givenchy, os italianos Giorgio Armani e Valentino e os libaneses Elie Saab e Rabih Kayrouz.