Os meses de dezembro e janeiro estão sendo para os amantes do cinema e da arte poderem apreciar a obra do artista uruguaio radicado no Rio Grande do Sul Gustavo Nakle. A mostra “Nakle Elemento Fogo” foi aberta no dia 9 de dezembro e segue até o fim de janeiro no Guion Arte (rua Lima e Silva, 776), em Porto Alegre.
Na abertura da mostra, foi apresentado em pré-estreia o documentário homônimo dirigido por Pia Azevedo e João Divino. O longa narra momentos da história do escultor, desde a infância em Montevidéu até a descoberta da arte. O artista é conhecido por moldar com fogo boa parte de seus trabalhos. A exposição conta com 50 esculturas de Nakle em bronze e vidro. Complementando a mostra, estão sendo apresentadas 11 fotos em grande dimensão do artista em seu ateliê, feitas por Carlos Schmidt, curador da mostra e proprietário do Guion Arte e Guion Cinemas. A visitação pode ser feita diariamente das 14h30min às 21h.
O próprio Carlos Schmidt conceitua o trabalho de Nakle na apresentação da mostra: “O trabalho de Gustavo Nakle jamais poderá ser considerado como desprovido de vigor, posto que ele é um ser motivado e motivador, um vulcão de ideias, que encanta a todos por seus mirabolantes projetos. Sua criatividade e inquietação transitam por diversos materiais como acrílico, bronze, vidro, fibra, expressando um encanto juvenil. Essa diversidade faz o espectador imaginar os incontáveis desafios técnicos que Nakle teve de superar até adquirir o domínio sobre cada um desses processos”, aponta.
Entre as obras apresentadas por Nakle estão “Lanceiro”, escultura em bronze (foto acima); “Formigas”, série de esculturas em bronze e pedra que estão expostas como se estivessem se deslocando em busca do alimento; “Flamingo”, obra em bronze e vidro; “Gafanhoto”, também em bronze e vidro; e “Currupira, o Político Corrupto”. As obras são em diversas dimensões.
O marchand lembra que no processo criativo de Nakle surgem os mais variados seres do universo do artista, como faunos, sátiros, insetos fantásticos e outros personagens de um mundo onírico, alguns com clara inspiração no próprio artista. “São figuras que, se não são reais, deveriam ser. Eu procuro brincar com o lúdico e o engraçado, são características do meu trabalho”, ressalta Nakle. Schmidt reitera a confiança na qualidade transcendente da obra do uruguaio. “Nakle possui uma visão transformadora de mundo, que se reflete em seu trabalho. Sua aguda crítica social intensificada desde a época dos ‘Alvoradenses’ (1986/Margs) encontra um farto material nos dias de hoje”, observa.
Nascido em Montevidéu, no Uruguai, em 1951, Nakle estudou na Escola de Belas Artes de Montevidéu e reside em Porto Alegre desde 1970. O artista criou, em 1974, junto com Elizabeth Nunez, Wilson Cavalcante e Maria Tomaselli, o Mercadão da Arte. Após experiências em técnicas como desenho, histórias em quadrinhos e desenho publicitário, retomou a escultura em 1983. O uruguaio pesquisa materiais como resina, bronze, tinta automotiva, acrílica e cerâmica e desenvolve um trabalho inovador. Realizou individuais em espaços como o Stedelijk Museum, em Amsterdã, Holanda. Em 1989 foi artista convidado da III Bienal de Cuba. Expôs no Uruguai, Argentina e Chile. Vive e trabalha em Porto Alegre.
Gustavo Nakle expõe obras em bronze e vidro em Porto Alegre
Mostra "Nakle-Elemento Fogo" está no Guion Arte