Arte & Agenda

Há provocação e nostalgia na tela

Este mês de julho surge com alguns ares de superprodução digital, com provocação, nostalgia e experimentação no streaming

No dia 11, a franquia jovem que vem sendo apresentada como a mais inclusiva da Disney retorna com "Zombies 4: A Era dos Vampiros"
No dia 11, a franquia jovem que vem sendo apresentada como a mais inclusiva da Disney retorna com "Zombies 4: A Era dos Vampiros" Foto : Disney + / Divulgação / CP

Enquanto os cinemas reverberam o rugido dos dinossauros com “Jurassic World: Recomeço”, o campo de batalha silencioso — e cada vez mais poderoso — do entretenimento se arma com estreias robustas nas plataformas de streaming. Julho de 2025 chega com ares de superprodução digital, misturando provocação, nostalgia e experimentação. Netflix e Disney+ não estão apenas lançando conteúdos: estão redefinindo o que significa “ficar em casa” numa noite de filmes.

Na Netflix, a programação de julho é uma espécie de mosaico pop cuidadosamente desenhado para seduzir públicos diversos. Um dos destaques é “Família, pero no Mucho”, que estreia no dia 18, estrelado por Leandro Hassum. A comédia transnacional aposta no choque cultural entre Brasil e Argentina, quando Otávio (Hassum) descobre que o noivo de sua filha é argentino — e, claro, a viagem em família a Bariloche vira uma comédia de erros e acertos. É o tipo de humor que ironiza as tensões regionais com leveza, mas sem abrir mão da crítica social embutida no riso.

No dia 25, quem retorna das profundezas da comédia nonsense é Adam Sandler, revivendo Happy Gilmore em “Um Maluco no Golfe 2”. E, como se não bastasse o absurdo de Sandler com um taco na mão, ele ganha a companhia improvável de Bad Bunny como seu caddie. É mais do que uma continuação: é uma fusão geracional embalada em taco de golfe e autotune — e sim, promete explodir no algoritmo.

Mas não se vive só de risos: o catálogo da Netflix ainda oferece para julho títulos como “Ataque em Londres: Os Atentados de 7 de Julho”, um documentário que reabre as feridas do terrorismo europeu com um olhar minucioso; a terceira temporada de “Tour de France: No Coração do Pelotão”, que transforma suor e pedaladas em drama de alto calibre; e a aguardada segunda temporada de “Sandman”, que mergulha de volta no universo onírico e filosófico de Neil Gaiman, com Sonho enfrentando suas próprias sombras existenciais.

E não para por aí. A plataforma apresenta ainda o thriller sombrio “Sob a Escuridão do Sol”, que mistura mistério e drama familiar com ares de tragédia grega, e o reality competitivo “Todos os Tubarões do Mundo”, no qual especialistas tentam registrar o maior número de espécies de tubarões para ganhar 50 mil dólares — mistura entre “Planeta Azul” e “Jogos Vorazes” subaquático.

Diversidade

Já no Disney+, a palavra de ordem é diversidade criativa. Aqui, os monstros são bem-vindos, os temas sociais são urgentes e a fantasia caminha de mãos dadas com a crítica. A estreia de “Jogo Cruzado” em 9 de julho abre a programação com um soco elegante na cara do machismo esportivo: José Loreto e Carol Castro interpretam ex-jogador e uma jornalista crítica forçados a dividir bancada em um programa esportivo, confrontando não apenas o passado, mas o presente tóxico do universo da mídia esportiva.

No dia 11, a franquia jovem mais inclusiva da Disney retorna com “Zombies 4: A Era dos Vampiros”. A ameaça sobrenatural da vez são os vampiros, mas a verdadeira trama está nos dilemas de convivência, inclusão e diálogo entre diferenças. Monstros, sim — mas com ética e coreografia.

No campo da nostalgia reinventada, o dia 22 traz “A Casa do Mickey Mouse+”, versão atualizada da clássica série infantil. No dia 23, chega “Washington Black”, talvez a obra mais ambiciosa da plataforma neste mês. A minissérie adapta o best-seller de Esi Edugyan com uma estética visual arrebatadora e uma densidade temática rara no streaming. E fechando o mês com o inesperado, Miley Cyrus entrega “Something Beautiful” em 30 de julho: um filme visual ousado que funde música, dor e arte em um álbum cinematográfico de 13 faixas. Inspirado em “The Wall”, o projeto é uma ópera pop contemporânea.

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