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“Há só um tango tradicional: o bom”, diz Amelita Baltar

A musa de Astor Piazzolla, que se apresenta sábado na Capital, fala de tango, da relação com o mestre argentino e da admiração por Elis Regina

Amelita Baltar se apresenta sábado na Capital
Amelita Baltar se apresenta sábado na Capital Foto : Cláudio Divella / Divulgação
A cantora argentina Amelita Baltar, 69 anos, realiza apresentação única em Porto Alegre no sábado, dia 24, às 21h, no Salão de Atos da Ufrgs (Paulo Gama, 110). Famosa pela interpretação da canção “Balada para un Loco”, a musa e ex-esposa do compositor portenho Astor Piazzolla está em turnê por seis cidades brasileiras – Rio de Janeiro, Florianópolis, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, além da capital gaúcha, onde deve desfilar os principais sucessos do tango tradicional, de mestres como Piazzolla, Horácio Ferrer e Alfredo Le Pera, além de temas folclóricos. No repertório, além de “Balada para un Loco”, devem estar tangazos “Vuelvo al Sur” e “Balada para mi Muerte”. Amelita se apresenta acompanhada de Aldo Saralegui (piano), Sebastian Barbui (contrabaixo), Ariel Hernández (bandoneon) e Demian González (bateria).

Ingressos ao preço único de R$ 100,00 podem ser adquiridos na Loja Bellenzier Pneus (Dom Pedro II, 1168); pela tele-entrega 3231.4142 e 4003.1212; ou pelo site Ingresso Rápido.

Nesta entrevista exclusiva para o Correio do Povo, Amelita fala sobre tango tradicional, sua relação com Piazzolla e com Porto Alegre:

Correio do Povo – Na sua opinião, existe um tipo de tango de ontem e algum mais atual?
Amelita Baltar – Há só um tipo de tango tradicional: o bom. Poetas como Cadícamo (Enrique), Le Pera (Alfredo), Discépolo (Enrique), Celedonio Flores, Homero Expósito, Homero Manzi e tantos outros. Músicos como Cobián, Mariano Mores, mesmo Discépolo, o maravilhoso Gardel, Hector Stamponi, Troilo (Aníbal), Virgilio Expósito e tantos. Também o tango vanguardista segue tendo Piazzolla à sua frente e há muitos jovens que seguem os seus passos. O bandoneonista da minha banda, Ariel Hernández, que vive há anos na Espanha e produz CDs maravilhosos, com músicos europeus, além de Pablo Mainetti e Daniel Ruggero. São tantos e tão bons.

CP – Como você define a união com Astor Piazzolla, amorosa e musicalmente?
Amelita – Perfeita e neurótica como corresponde a dois artistas apaixonados.

CP – Conte-nos sobre o repertorio que será apresentado em Porto Alegre.
Amelita – Todo o tango que canto. Assim posso prometê-lo.

CP - Algumas pessoas dizem que assistir à sua interpretação de “Balada para un Loco” é como ter Piazzolla redivivo no palco. O que pensas disto?
Amelita – Com “Balada (para um Loco)” se produz um milagre no mundo inteiro. O público aplaude sempre de pé com lágrimas nos olhos na Finlândia, Holanda, França, Bélgica, Suécia, Espanha e Turquia.

CP – O que conheces de Porto Alegre? Dizem que é a cidade brasileira mais portenha que existe.
Amelita – Eu conheço Porto Alegre há muitos anos e tenho amigos do coração que estarão no teatro no dia 24. Nos comunicamos sempre por este meio mágico, louco que é a internet. Além disso, fui amiga da maior cantora gaúcha que foi e sempre será Elis Regina.

CP – Há algum gênero que pode igualar ou superar o tango no gosto e no imaginário da Argentina?
Amelita – O tango não tem concorrência, embora, por épocas, existam ritmos que tentam fazer o sucesso do tango, mas não conseguem chegar ao seu nível, nem à sua legítima e merecida tradição.

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