Chega aos cinemas, como um pequeno terremoto artístico, não somente uma leva de estreias, mas um convite ao risco, ao desconforto e à emoção crua. No topo dessa constelação está o grande vencedor do Globo de Ouro, o filme que transforma luto em matéria-prima poética e reafirma o cinema como arte capaz de atravessar séculos. “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” lidera a semana com a força silenciosa de uma tragédia íntima. Sob a direção sensível de Chloé Zhao, acompanhamos William Shakespeare não como mito, mas como pai devastado pela morte do filho de 11 anos.
Paul Mescal e Jessie Buckley dão corpo a um casal que tenta seguir respirando em meio às sombras da peste e da perda. O filme não explica Hamlet, ele o sente. E ao fazer isso, provoca o espectador a olhar para a origem da arte como uma ferida aberta, nunca cicatrizada. É cinema que não pede atenção, exige entrega.
Do drama ancestral ao terror contemporâneo, “Extermínio: O Templo dos Ossos” mergulha no medo como experiência física. Nia DaCosta conduz Ralph Fiennes por um labirinto de ossos, memória e violência, onde o horror não é apenas sobrenatural, mas histórico e moral. Um filme que raspa a superfície do gênero para revelar algo mais profundo e inquietante.
“O Beijo da Mulher Aranha” aposta na delicadeza política e poder da imaginação. Bill Condon transforma a cela de uma prisão da ditadura argentina em palco para fantasia, afeto e resistência. Diego Luna e Tonatiuh constroem relação que nasce da narrativa compartilhada, enquanto a presença de Jennifer Lopez adiciona brilho e ironia. Um musical que canta para sobreviver e faz releitura da premiada obra de Hector Babenco.
Para o público familiar, “Davi, Nasce um Rei” revisita o mito bíblico com frescor animado. Mais do que gigantes e coroas, o filme fala de coragem íntima, fé e escolhas, tornando a jornada do jovem pastor acessível e emocionalmente honesta. A direção é de Phil Cunningham, o mesmo da série animada “O Jovem Davi” em parceria com o também roteirista Brent Dawes, da mesma série, e de “O Ritmo da Selva: O Filme”.
Outra estreia é do brasileiro “O Diário de Pilar na Amazônia”, aventura e drama família, de Duda Vaisman, Rodrigo Van Der Put. No elenco, Lina Flor, Miguel Soares e Sophia Ataíde dão o tom às aventuras da jovem exploradora que viaja até a Amazônia com dois amigos e uma rede mágica e embarca numa aventura para salvar a floresta e seus habitantes.
Já o gaúcho “Ato Noturno” provoca sem pedir desculpas. Trata-se de um thriller erótico brasileiro, que encantou o Festival de Berlim e foi visto no Festival do Rio de Janeiro e na Mostra de São Paulo. A produção, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, acompanha o ator vivido por Gabriel Faryas, jovem ambicioso que faz parte de um grande grupo teatral em Porto Alegre e que divide apartamento com seu colega Fábio (Henrique Barreira). Ambos disputam papel em série de grande porte que será gravada na cidade. Paralelamente, Matias conhece Rafael, vivido por Cirillo Luna, político e que irá concorrer à prefeitura da Capital.
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