Na montagem, com três horas de duração e 15 minutos de intervalo, Peymann mostra uma das personagens femininas com maior força da literatura mundial. No elenco, além de Carmen-Maja, estão atores como Winfried Goos, Gudrun Ritter, Roman Kanonik, Christina Drechsler, Martin Seifert, Veit Schubert, Michael Rothmann, Axel Werner, Detlef Lutz, Michael Kinkel, Manfred Karge, Roman Kaminski, Ursula Höpfner-Tabori, Anke Engelsmann e Anna Graenzer. A trilha sonora de Paul Dessau é executada ao vivo por um quinteto formado pelos músicos Matthias Erbe e Michael Yokas (Violino), Cathrin Pfeifer (Acordeon), Silke Eberhard (Saxofone Alto, Clarinete, Clarinete baixo) e Katharina Thomas (Teclado e Voz), regidos por Rainer Böhm.
Em entrevista ao Correio do Povo, Claus Peymann fala da força da personagem, do texto de Brecht, de teatro e do Brasil.
Correio do Povo - Conte-nos um pouco sobre a montagem de "Mãe Coragem" e sobre a força da personagem de Anna Fierling?
Claus Peymann - Esta montagem tem uma dramaticidade e uma força sempre atuais. A mensagem de ‘Mãe Coragem’ é atemporal. Ultrapassa as tendências atuais. Deve figurar entre os grandes personagens femininos de literatura mundial, como Antígona, Medeia, Electra ou Lady Macbeth
CP - O que dos ideais de Brecht, neste texto, resistem ao tempo?
Peymann - O ideário de Brecht resiste ao tempo especialmente neste mundo que tenta encobrir e mascarar a sua decadência e os tempos de crise. Neste mundo, a humanidade comovedora de ‘Mãe Coragem’ estabelece uma luz resplandecente.
CP - Como Anna F. agiriria nos dias de hoje, quando a guerra, os mercados comuns e as democracias quase ditatoriais predominam?
Peymann - Quando pensamos que guerra é uma realidade eterna da humanidade, que deve ser o maior horror possível entre os povos, aí estamos perto da força da "Mãe Coragem", e infelizmente a guerra está aí, basta olhar ao seu redor e vê-la todos os dias.
CP - O que o senhor conhece do Brasil, de Porto Alegre e do teatro brasileiro?
Peymann - Infelizmente, eu sei muito pouco sobre o Brasil e sobre a literatura brasileira. Estamos todos excitados para conhecer este seu grande país. Também estamos ansiosos para as apresentações de "Lulu", de Frank Wedekind, e a "Ópera dos Três Vinténs" de Bertolt Brecht e Kurt Weil, no início de novembro, em São Paulo. Imagino Porto Alegre como uma cidade comercial e industrial pulsante, como uma cidade de poder econômico. Penso que deve ser um dos centros industriais do Brasil. Sou muito curioso com cidades novas. Estive trabalhando no Ruhrgebiet (em área industrial da Alemanha) durante um longo tempo. Ruhrgebiet não é tão bela como Hamburgo, Munique ou Berlim, mas tem uma alma nobre. Porto Alegre não é Rio ou São Paulo, isso me intriga e desperta minha curiosidade.
Mãe Coragem e seus filhos
Apresentações: 6, 7 e 8 de setembro
Horário: 20h
Local: Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/nº)
Duração: 180min (com intervalo de 15min)
Ingressos: Esgotados
Ficha técnica
Direção: Claus Peymann
Texto: Bertolt Brecht
Dramaturgia: Jutta Ferbers
Música: Paul Dessau
Maestro: Rainer Böhm
Elenco: Carmen-Maja Antoni, Winfried Goos, Gudrun Ritter, Roman Kanonik, Christina Drechsler, Martin Seifert, Veit Schubert, Michael Rothmann, Axel Werner, Detlef Lutz, Michael Kinkel, Manfred Karge, Roman Kaminski, Ursula Höpfner-Tabori, Anke Engelsmann e Anna Graenzer
Músicos: Matthias Erbe e Michael Yokas (Violino), Cathrin Pfeifer (Acordeon), Silke Eberhard (Saxofone Alto, Clarinete, Clarinete baixo) e Katharina Thomas (Teclado e Voz)
Palco: Frank Hänig
Figurino: Maria-Elena Amos