Bastante conhecida na região do Vale dos Sinos, a personagem Herta quer conquistar Porto Alegre. Para isso, marcou um espetáculo para a próxima quinta-feira, dia 24 de julho, às 20h, no Centro de Eventos da Amrigs (av. Ipiranga, 5311), para apresentar a peça “Herta no Divã – Uma diva no divã”.
A montagem leva ao palco a irreverente personagem Herta, uma senhora de origem alemã que se espanta e encanta com a descoberta da terapia. A protagonista é interpretada por Carlos Alberto Klein, o Betinho, ator com mais de 30 anos de trajetória no teatro gaúcho, que criou a descendente de alemães.
Herta convida o público a refletir sobre o papel da psicologia na vida das pessoas, sobretudo os desafios da maturidade e as transformações sociais. Tudo isso com muito bom humor.
Com sotaque alemão, evidenciando as raízes germânicas, ela compartilha as vivências de quem nasceu no Interior do Rio Grande do Sul. Fala sobre amores, amizades e os desafios de lidar com tecnologias e as redes sociais. Herta é viúva e recebeu um fusca de herança do marido.
A direção é de Marco Aurélio Alves, psicólogo e diretor de teatro, com formação na Escuela Teatro Imagen, do Chile. “A personagem Herta já existia há bastante tempo. Como o ator e criador desejava fazer algo diferente me propôs escrevermos este texto a quatro mãos. Então imaginei várias sessões de terapia em que ela vai trazendo diferentes questões”, revela Marco Aurélio Alves, que já foi presidente do Conselho Estadual de Cultura. Entre os assuntos abordados, estão aplicativos de namoro, a imaturidade masculina, a afetividade volátil e a invisibilidade das pessoas mais velhas.
O psicólogo da história não aparece em cena. Ao conversar com ele, a personagem acaba se revelando para a plateia. “Na direção eu tento explorar o temor de revelar coisas simples e a autodiscriminação que muitas pessoas temem levar até para a terapia”, conta o diretor.
O ator conta que a personagem atua em diversos lugares da sua região e quer torná-la mais conhecida. “O objetivo não é só os palcos teatrais, a Herta circula além dos palcos, às vezes toma chá com vovós e vai a feiras ecológicas”, conta. O autor fez laboratórios convivendo com várias senhoras, frequentando, por exemplo, um grupo de mulheres que jogavam cartas, o que servia como o momento de se encontrar e conversar sobre questões femininas. Muitas tinham mais de dez filhos e muito pouco tempo para si, além do receio de se expor.
Já foram feitos espetáculos pelo artista que remontam um pouco do que seus antepassados enfrentaram. “Herta, Memórias e Suas Histórias” é um deles. “Iam para escolas com tamancos de madeira, o banho era com uma lata com água que servia de chuveiro e tinha de ser rápido”, conta. “Agora Herta se permite ir ao divã, mesmo que não saiba o que é isso”, diz.
A nova peça estreou no ano passado em Novo Hamburgo um pouco antes da enchente. Devido à tragédia climática, a sua circulação foi adiada. Não se trata de um stand up, mas de um monólogo com muito bom humor sobre uma mulher que decide se conhecer melhor.
Carlos Alberto Klein, o Betinho, é fundador da Companhia de Teatro Curto Arte e responsável pela construção do Teatro Adriano Schenkel, no Centro de Dois Irmãos. Também é autor de obras literárias e teatrais.
Os ingressos já estão à venda pelo site Blueticket ou no local. Classificação 14 anos.
Veja o artista Betinho falando sobre a construção da personagem Herta no vídeo abaixo: