A mostra optou por apresentar somente obras do início da carreira de cada fotógrafo, não as profissionais. "É através das primeiras fotos que se impõe realmente o ponto de vista dos artistas", disse à AFP a curadora da exposição, Sylvie Lecallier. A editora americana Condé Nast (1873-1942) comprou a Vogue em 1909 e a transformou em uma das principais revistas de moda dos Estados Unidos. A versão britânica nasceu em 1916 e a francesa em 1920.
Os editores e diretores artísticos que se sucederam à frente dessa e de outras revistas publicadas pela Condé Nast, como Glamour e W, descobriram grandes talentos que renovaram, cada um em sua época, o estilo das fotografias de moda, acompanhando a arte moderna em sua evolução ao longo do século XX. A mostra lembra em várias fotografias de Man Ray e Erwin Blumenfeld, que fizeram parte da vanguarda dadaísta, além de Horst P. Horst, que trabalhou com Le Corbusier e Salvador Dalí.
A exposição põe em evidência como apesar do fotógrafo de moda ter definido de antemão o objeto de sua arte, ao colocá-lo em cena ele atua como criador. A mulher dos anos 30 fotografada pelo Barão De Meyer aparece somente em interiores elegantes. Em 1932 a Vogue publica sua primeira sessão colorida. Após a segunda guerra, os fotógrafos saem às ruas. Nos anos 1960 entram para a profissão repórteres como William Klein e com eles se abriu caminho para uma realidade mais crua e uma mulher mais ativa, sem deixar a elegância de lado. A nudez esperou até os anos 1980 para se mostrar nos Estados Unidos, apesar de já nos anos 70 as fotos da Vogue incomodarem
os setores feministas que lutam contra a utilização da mulher como objeto. A exposição fica aberta em Paris até 25 de maio e viaja depois para Suíça, Estados Unidos e Japão.