"Histórias que Só Existem Quando Lembradas" é ambientado na pequena cidade fictícia de Jotuomba, localizada no Vale do Paraíba, onde, nos anos 30, grandes fazendas de café faliram e localidades antes ricas se tornaram quase fantasmas. Lá vive Madalena (Sônia Guedes), a velha padeira da localidade, presa à memória de seu marido morto e enterrado no único cemitério do lugar, hoje trancado.
Como todos os dias, Madalena faz pão para o armazém do Antônio. Em seu cotidiano, ela atravessa o trilho, onde o trem já não passa há anos, limpa o portão do cemitério, que não enterra mais ninguém, ouve o sermão do padre na missa diária e almoça junto com os outros velhos habitantes da cidade.
Vivendo da memória do marido morto, Madalena é surpreendida por Rita, uma jovem fotógrafa que chega à cidade e acaba se hospedando na casa da idosa. Ambas acabam convivendo por alguns dias.
Rita (Lisa Fávero) pouco a pouco modifica o cotidiano de Madalena e dos outros habitantes do lugarejo. É da relação que se estabelece entre Rita e Madalena que a estreante Júlia Murat tira o encanto de seu filme, que oferece ao espectador uma reflexão em torno do eterno embate entre o velho e o novo, o passado e o futuro, a tradição e a modernidade, a luz e a escuridão, sem fórmulas fáceis.
Graças ao auxílio de um roteiro bem construído e à qualidade das atuações de seu elenco, com destaque para a corajosa participação de Sônia Guedes, Júlia tem recebido diversas premiações em festivais de cinema, como Prêmio de Público no festival de Varsóvia (Polônia) e no Festival de Cinema Brasileiro em Paris (França), que faz com que acompanhemos sua carreira futura com atenção. O filme também foi apresentado no Festival de Cinema de Toronto, em 2011. Com uma linguagem que se aproxima do experimental, é um filme de silêncios, memórias e olhares que falam mais do que palavras.
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