Os porto-alegrenses são apaixonados pelo tango. Isto é ponto pacífico. A paixão será melhor alimentada hoje com o show da cantora argentina Amelita Baltar. A musa de Astor Piazzolla se apresenta às 21h, no Salão de Atos da Ufrgs (Paulo Gama, 110). Os ingressos custam R$ 100,00 e podem ser adquiridos na Bellenzier Pneus (Dom Pedro II, 1168); pela telentrega 4003-1212 ou pelo site www.ingressorapido.com.br. Conhecida pela interpretação apaixonada de "Balada para un Loco", de Piazzolla, Amelita é uma das principais intérpretes do tango tradicional, pela dramaticidade ao cantar músicas do gênero, além de temas folclóricos e clássicos de Horácio Ferrer e Anibal Troilo. No show, ela é acompanhada por Aldo Saralegui (piano), Sebastian Barbui (contrabaixo), Ariel Hernández (bandoneon) e Demian González (bateria).
Em entrevista ao Correio do Povo, Amelita disse que só há um tango tradicional, o bom, feito por poetas como Le Pera, Discépolo, Celedonio Flores, Homero Expósito e Homero Manzi.
Sobre o repertório que será apresentado na noite de hoje, Amelita adianta que será uma amostragem de todo o tango cantado por ela ao longo de mais de 40 anos de carreira. Presença certa, além de "Balada para mi Muerte" e "Vuelvo al Sur", é a clássica "Balada para un Loco". "Com ''Balada para un Loco'' se produz um milagre no mundo inteiro. O público aplaude de pé com lágrimas nos olhos em países como Finlândia, Holanda, França, Bélgica, Suécia, Espanha e Turquia", destaca Amelita.
Para a cantora, não surgiu na Argentina um gênero musical e artístico que possa competir com o tango. "Às vezes, surgem ritmos que tentam fazer o sucesso do tango, mas não conseguem chegar a seu nível, nem à sua legítima e merecida tradição", aponta. Amelita ressalta que cantar em Porto Alegre é reencontrar amigos e poder retribuir a amizade com tangos. "Conheço a cidade há muitos anos. Tenho amigos com os quais me correspondo pela Internet. Uma das maiores amizades que fiz por aqui foi com Elis Regina", revela a intérprete.
Uma pergunta que nunca cala é sobre a relação que tinha com Astor Piazzolla, que tinha a intensidade, o fervor e a paixão pela música como bens comuns. "A minha relação com Piazzolla foi perfeita e neurótica como corresponde a dois apaixonados", diz.
Amelita conheceu Piazzolla em 1968, ano do seu primeiro álbum "Para Usted". O compositor a convidou para estrelar a opereta "María de Buenos Aires", composta em parceria com Horacio Ferrer. Este foi o início de uma união duradoura. Piazzolla e Ferrer encontraram em Amelita a intérprete exata para mais de 30 músicas em parceria, entre as quais "Balada para un Loco", marcando a história da música argentina.
Amelita se tornou esposa e musa de Piazzolla, com apresentações nos anos 70 em palcos como o Olympia de Paris e o Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Separada de Piazzolla, Amelita continuou sua carreira de sucesso na Argentina e em turnês pela Europa e Américas. Ela fez também teatro, novelas e cinema. Teve mais de 15 LPs e CDs, editados.
Hoje é noite de tango com a diva
Cantora argentina Amelita Baltar se apresenta no Salão de Atos da Ufrgs