São diversas as escolhas possíveis entre as estreias de cinema desta quinta-feira. Claro que, uma das mais aguardadas é de “Homem-Aranha: Um Novo Dia”. A produção chega às telas reafirmando uma das maiores façanhas da cultura pop contemporânea, a de transformar um personagem criado há mais de seis décadas em um espelho para diferentes gerações. Desde a trilogia de Sam Raimi, que consolidou Peter Parker como o herói dividido entre responsabilidade e desejo, passando pela releitura de Marc Webb e chegando ao Homem-Aranha integrado ao Universo Cinematográfico Marvel vivido por Tom Holland, o personagem provou uma capacidade rara de renascer sem perder sua essência.
Em “Um Novo Dia”, Peter tenta experimentar uma vida comum. A faculdade, os amigos, os afetos e o sonho de existir sem máscaras parecem finalmente possíveis. Mas o destino insiste em lembrar que alguns heróis não têm direito à normalidade. Com Zendaya, Sadie Sink e novos aliados, o longa reafirma que o Homem-Aranha continua sendo menos um super-herói do que um jovem obrigado a crescer antes do tempo. Peter Parker vive sozinho e desaparecido das memórias daqueles que ama. O herói dedica o tempo a proteger as ruas de Nova Iorque e a pressão potencializa seus poderes, mas o torna instável. Neste contexto acontece uma confusão interna, acompanhada de nova ameaça, capaz de controlar mentes, que assola a cidade.
Confira em vídeo:
Jon Watts, responsável pelos três primeiros filmes, passa o bastão para Destin Daniel Cretton, o diretor, roteirista, produtor e editor, conhecido por seu trabalho em “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”. Enquanto o trio Tom Holland, Zendaya e Jacob Batalon retorna como Peter, MJ e Ned. Jon Bernthal (“Justiceiro”) e Mark Ruffalo (“Os Vingadores”) reprisam seus papéis.
Mas limitar a quinta-feira ao blockbuster seria desperdiçar a riqueza do cinema mundial. A programação oferece um verdadeiro passeio por diferentes formas de olhar o ser humano.
O Brasil marca presença com propostas radicalmente diferentes. A primeira delas “Não Sei Viver Sem Palavras”, documentário dirigido por André Brandão, celebra a trajetória de Ignácio de Loyola Brandão, um dos grandes nomes da literatura brasileira e lembra que a literatura continua sendo grande força da imaginação brasileira. Já “A Fabulosa Máquina do Tempo”, é um documentário dirigido por Eliza Capai. No sertão do Piauí, meninas de 10 anos navegam entre TikTok, cultos evangélicos e sonhos de futuro. Ao inventarem uma máquina do tempo, revisitam as histórias duras de suas mães e avós. Entre brincadeiras e fabulação, questionam o que significa se tornar mulher. Filme sobre o delicado limiar entre infância e adolescência, narrado por quem ainda vive essa travessia. E vale, ainda a volta de “A Professora de Piano”, obra-prima de Michael Haneke, com Isabelle Huppert, um dos mais perturbadores do século 21. Muito além do escândalo que provocou, permanece como investigação brutal sobre desejo, repressão, poder e violência emocional. Poucos cineastas desmontam a alma humana assim.