"Queria mostrar (Paris) através dos meus olhos, através das emoções, não de uma maneira objetiva, real", explicou Allen após a exibição para a imprensa do filme, que tem participação especial da primeira-dama da França, Carla Bruni Sarkozy.
O filme é uma divertida comédia romântica e uma viagem no tempo e espaço, na qual Allen transporta o espectador a alguns dos lugares mais emblemáticos e charmosos da Paris de hoje, mas também aos anos 20 e da “Belle Epoque”. "Paris é uma cidade emocionante, que eu só conhecia através do cinema, até vir aqui pela primeira vez, em 1965", explicou Allen. Ele destacou uma dívida com cineastas franceses como François Truffaut, Jean Louis Godard, René Clair, Jean Renoir, que influenciaram muito o seu trabalho e o de alguns colegas contemporâneos.
O cineasta, cujas imagens de Manhattan integram a história do cinema, ressaltou que Paris "é uma cidade particularmente bela sob chuva". Através do protagonista, Owen Wilson, o espectador observa alguns míticos escritores e artistas que viveram na Cidade Luz, como os americanos Ernest Hemingway, Francis Scott Fitzgerald e Gertrude Stein, o compositor Cole Porter, os artistas espanhóis Pablo Picasso e Salvador Dalí, além do cineasta Luis Buñuel.
Ao ser questionado se teve que fazer uma pesquisa de época e de autores para o filme, Allen afirmou que desejava apenas escrever sobre os personagens que admira, de maneira "satírica, divertida". O diretor subirá as escadas do imponente Palácio dos Festivais para a cerimônia de abertura, nesta quarta-feira à noite, acompanhado de algumas estrelas do filme, como a francesa Marion Cotillard, mas sem Carla Bruni Sarkozy. A primeira-dama francesa anunciou que não viajará a Cannes.