Para prestar homenagem à cantora Elis Regina (1945 – 1982), que faria 76 anos nesta quarta-feira, dia 17 de março, a Universal Music lança vinil e disco digital de “Elis 1972”, com nova mixagem dirigida pelo filho da artista, João Marcello Bôscoli, e remasterizado por Carlos Freitas, quase 50 anos depois de sua gravação. O projeto mostra o quanto há por se descobrir sobre a sonoridade de César Camargo Mariano e as sutilezas da intérprete. Também será apresentado lyric vídeo dos clássicos “Casa no Campo” e “Nada será com Antes”.
Houve uma tarde, depois de que tudo estava gravado e o disco feito, em que o produtor Roberto Menescal chamou Elis Regina para escutarem o vinil juntos pela primeira vez. Ouviram em silêncio o lado A deixando o LP falar por inteiro para perceberem a força do todo: “20 Anos blue”, “Bala com bala”, “Nada será como antes”, “Mucuripe”, “Olhos abertos” e “Vida de bailarina”. Assim que a agulha deslizou no vazio, Menescal levantou-se para virar o disco sem dizer nada. Vieram “Águas de março”, “Atrás da porta”, “Cais”, “Me deixa em paz”, “Casa no Campo” e “Boa noite amor”. Ao final, Elis Regina fez uma pausa de alguns segundos, olhou para o produtor e disse sobre todas as músicas que Menescal havia levado para aquele álbum: “Cara, eu sou f... escolhendo repertório”.
No site dedicado a Elis Regina, há uma reportagem que diz que “Casa no Campo” é um grande manifesto da juventude dos anos 1970. O compositor Zé Rodrix a escreveu enquanto viajava pela em um ônibus para Goiânia, quando integrava o grupo Som Imaginário. A paisagem trouxe a inspiração para compor. “Nada será como Antes”, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, tornou-se uma canção de oposição ao regime vigente. Os versos expõem o drama dos que se preocupavam com o destino imprevisível dos exilados pela ditadura, entre os quais estava o próprio irmão de Bastos.