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Hotel Fuck tem últimas apresentações neste fim de semana

Estacionamento da Usina do Gasômetro foi transformado em set de filmagens

Hotel Fuck tem últimas apresentações neste fim de semana
Hotel Fuck tem últimas apresentações neste fim de semana Foto : Luciane Pires Ferreira / Divulgação / CP
O estacionamento da Usina do Gasômetro foi transformado num palco para a cultura pulp neste fim de semana. Inspirado em diretores consagrados como Quentin Tarantino e Robert Rodríguez, o cartão postal de Porto Alegre recebe – desta sexta até domingo, às 20h – a peça “Hotel Fuck, Num Dia Quente a Maionese Pode Te Matar."

O espetáculo, que simula um set de filmagens de um filme do gênero, é dividido em dois momentos. O primeiro, aberto, e o segundo restrito ao público que retirar as senhas (das 19h às 19h15min) para assisti-lo. Os espectadores recebem um cobertor para afastar o frio, bem comum nesta época do ano à beira do Guaíba. Com chuva, não haverá apresentação.

O ponto de partida de “Hotel...” é um ônibus escolar, parado no estacionamento da Usina, onde um set está montado para essa aventura digna de filme B. Dele saem sete personagens, que viverão três histórias regadas a violência, sexo, drogas e sangue. A trilha sonora é digna de uma obra dos próprios Tarantino ou Rodríguez.

Para esta sexta, os atores encenarão “Cavando a Porta do Inferno”, sábado é a vez de “Uma Temporada no Paraíso” e domingo, “Eles atiram em lobos”. Ao longo do espetáculo, são prometidos cortes de cenas, efeitos especiais, slow motion, deslocamentos de cenário, cenas de luta, coreografias e comentários do elenco. Tudo sob o comando da diretora Jezebel de Carli. “Hotel...” é assinado por Diones Camargo, autor de peças como “Andy e Edie”, “Nove Mentiras Sobre a Verdade”, “O Mapa" e “Peru NY”.

O título da obra remete à frase do prólogo: “Existe uma piada entre a escória que diz que se Lúcifer tivesse que transferir o inferno para uma nova sede, ele certamente escolheria o Hotel Fuck”. Os hóspedes têm um passado e tanto. Jack Newman (Denis Gosch) é um serial killer órfão, criado num ambiente desequilibrado pela tia, que fica transtornado quando recebe uma “entidade” e um tio pedófilo, além da companhia de duas priminhas, com quem brinca epelas quais é responsável. Um dia ele tem uma visão do psicopata Leatherface, de "O Massacre da Serra Elétrica" que, cansado de tantas sequências do filme que protagonizou, o aconselha a viver a vida e deixar de esquartejar mulheres, partindo para uma cruzada de autoconhecimento. A amante de Newman, a prostituta Linda (Gabriela Greco), não se conforma com o fato de ele não tê-la destroçado,  como fez com as outras mulheres.

Audrey (Luciana Rossi) é uma bonequinha de luxo que teve sua mão mutilada, ex-noiva de Jessica (Jeffie Lopes), transexual que sonha fazer a cirurgia para troca de sexo. Além deles, o detetive Gordon (Rafael Guerra), que na verdade é um ex-ator aprisionado em seu único e derradeiro papel, e duas Charlie's Angels que não deram certo: Loureen (Ana Carolina Moreno), uma diretora fetichista e dominadora, em busca do próximo roteiro, apaixonada por Ashley (Larissa Sanguiné), uma diva pornô excêntica e egoísta, insatisfeita com o papel confortável da outra, que não produz uma boa história para que ela protagonize.

A preparação corporal é um dos destaques, tanto nos embates como nas cenas de dança, a exemplo dos outros trabalhos da Cia. Santa Estação - "Lipstick Station" (2008), "A Tempestade e os Mistérios da Ilha" (2005) e "Parada 400: Convém Tirar os Sapatos" (2003). O grupo teve origem numa oficina de Análise do Movimento ministrada por Jezebel de Carli, há oito anos e desde 2005 participa do projeto Usina das Artes, da Usina do Gasômetro, onde está sediado. Lá apresentou o experimento "Num Dia Quente a Moineses Pode Te Matar", que deu origem a este espetáculo, financiado pelo Fumproarte.

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