"É o pior personagem que eu já fiz", afirma. A história de Laurie com o enredo é longa: em 1993, o célebre escritor de espionagem John Lé Carré lançou o livro "The Night Manager", no qual a série é baseada, encontrando no tráfico de armas um tema para superar a então acabada Guerra Fria, ambiente de suas obras anteriores. O ator inglês tentou comprar os direitos do texto, que mais tarde foram adquiridos pela Paramount, e até Brad Pitt chegou a se envolver: mas as 500 páginas do romance não cabiam em um filme de 100 minutos. Em 2015, BBC e AMC - o canal de "Breaking Bad" e "Mad Men" - juntaram forças pela produção.
"Li o romance quando foi publicado, em 1993, e amei a história", diz Laurie. "Foi muito intrigante ler sobre um personagem, Johnatan Pine, em busca de uma causa para se definir a si mesmo. É comovente", comenta. No primeiro episódio - já exibido no dia 22 de fevereiro - Tom Hiddleston é Johnatan Pine, o gerente noturno de um hotel no Cairo durante os protestos que marcaram a Primavera Árabe no Egito, em 2011.
Meio por acaso, cai em sua mão a informação de que um conterrâneo seu, Roper, está vendendo armas em grande quantidades a ricaços do Egito pouco interessados na revolução popular. Sua alma de ex-soldado - e outros motivos - faz com que ele se envolva em um esquema de espionagem pouco simpático ao próprio governo britânico. Ele então acaba se misturando com Roper e seus comparsas - especialmente com Jed, interpretada pela bela atriz australiana Elizabeth Debicki.
Beleza também não é um problema para o Pine de Tom Hiddleston (uma cena em que ele tira a camisa chamou a atenção da imprensa internacional a ponto de a diretora dinamarquesa Susanne Bier ter que avisar: "eu sou sempre cautelosa ao trabalhar com atores bonitos. Mas ele é muito mais interessante do que sua aparência", disse ela ao Guardian).
Pine, aliás, é o personagem que Laurie gostaria de ter interpretado. Mas ele explica: "O que eu queria era ser o cara jovem (risos). Mas acabei sendo o cara velho. Não posso fazer nada sobre isso, o tempo passa". O ator britânico destaca a estranha relação de paternidade que começa se criar entre seu personagem, Roper, e o de Hiddleston, Pine.
"É apropriado que, de um jeito, Roper está olhando de volta para sua própria juventude, aos sonhos que ele tinha, e tentando revivê-los através de Pine. Então talvez seja apropriado que eu queira ser Pine 20 anos atrás, e agora seja a figura paterna." Laurie - que tem gastado seu tempo livre entre fazer música (ele é um blueseiro de mão cheia que já lançou dois álbuns desde 2011) e assistir a documentários ("acho que atores devem olhar mais para as pessoas") - também é um dos produtores executivos do seriado, como foi durante muito tempo em House. "Há algo como 600 dramas de televisão nos EUA hoje. O que é absolutamente demais para mim. Eu acho que 20 anos atrás, 60 já seria incrível. Mas 600? Como é que vamos achar uma audiência para todos esses shows (risos)?", questiona.
Em uma carta aberta publicada pelo Guardian, o próprio Lé Carré escreveu sobre a série: "com todas as mudanças, o que de meu sobrou ali? A resposta, surpreendentemente, é: mais do que eu ousei esperar". Laurie, aos risos: "É um grande elogio e um grande alívio". A estreia de "The Night Manager" no Brasil está marcada para o dia 19 de abril, no canal AMC.
Assista ao trailer oficial da série: