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Impaciente e Selvagem, Accept magnetiza fãs em Porto Alegre

Banda alemã tocou clássicos e novidades por duas horas no Opinião

Quase todas as músicas do show tiveram longos solos e duelos de guitarras
Quase todas as músicas do show tiveram longos solos e duelos de guitarras Foto : Chico Izidro / CP
Fazer a crítica do show do Accept é uma missão quase impossível para a imparcialidade. Afinal, o grupo de heavy metal alemão é um dos que marcou a minha adolescência numa época em que os discos demoravam uma eternidade para chegar aos nossos 3 em 1, e eram disputados quase a tapas na falecida loja Megaforce, ali na Galeria Independência. Pois bem, naqueles agora quase longínquos anos 1980 eu nunca pensaria que um dia veria a banda ao vivo. E não é que 30 anos depois, os caras fizeram show em Porto Alegre, no Opinião, na noite desse domingo.

Não tem como começar a falar da apresentação do Accept sem citar um vocalista ícone do gênero, o baixinho Udo Dirkschneider, que marcou época nos primeiros anos da banda. Ele foi para uma bem sucedida carreira solo, com um grupo que leva seu nome, a U.D.O., e os seus parceiros caíram no ostracismo. Até que encontraram um substituto à altura, o americano Mark Tornillo. E com ele retomaram o sucesso dos anos 1980 ao gravarem os discos Blood of Nations, de 2010, e Stalingrad, de 2012. E com estes dois petardos, que tem a sonoridade característica daquela época, mas de modo algum soarem datados, caíram de novo na estrada e chegaram a Porto Alegre.

Depois de várias décadas juntos, o grupo se mostra muito bem entrosado. O guitarrista Wolf Hoffmann, sósia do Bruce Willis, magnetiza a plateia com seus solos violentos, e por focar em alguém na audiência, incentivando a pessoa a entrar num quase transe, assim como ele. O baixista Peter Baltes tem sintonia total com o guitarrista, e o dois protagonizam um duelo incrível em cada música. O guitarrista-base Herman Frank é mais discreto, mas igualmente competente. Lá atrás, o batera Stefan Schwartzmann , que entrou na banda nos anos 1990, também não deixa nada a dever ao xará e antigo dono do posto Stefan Kaufmann.

Em exatas e precisas duas horas, o Accept mostra coisas novas, como Stalingrad, Dhadow Soldiers e Hellfire, do disco mais recente, e Teutonic Terror, que retomou o caminho do sucesso no começo desta década. Como já disse antes, elas tem a mesma pegada oitentista que levou o grupo à fama. Então eles deram aos quarentões presentes na plateia, mais novos fãs e uma mulherada bonita, as obras-primas dos renomados Restless and Wild e Balls to the Wall, de 1982 e 1983, respectivamente. Entraram no pacote Fast as a Shark e a conhecida introdução, com trecho de uma música tradicional alemã, aquela do disco arranhado e da voz feminina aparecendo antes do grito primal do Udo, Restless and Wild, Princess of Dawn, que é a minha música preferida do grupo e presente no meu top tem do gênero, Neon Knights, com uma longa e hipnotizante introdução do Hoffmann.

O Accept ainda nos brindou com Breaker, do disco homônimo, o hino Metal Heart, do disco de mesmo nome Losers and Winners e Up to the Limit. Quase todas as músicas do show possuem longos solos, duelos de guitarras, e com o acompanhamento dos roqueiros porto-alegrenses, que diante de uma banda clássica, mostraram conhecer todas as letras, e não pouparam o gogó nos refrões e coros, marcas registradas do Accept, que encerrou o show, e foram 21 músicas, com o clássico-mor Balls to the Wall. Ninguém ficou parado, e eu voltei à minha adolescência, feliz da vida.


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