Não tem como começar a falar da apresentação do Accept sem citar um vocalista ícone do gênero, o baixinho Udo Dirkschneider, que marcou época nos primeiros anos da banda. Ele foi para uma bem sucedida carreira solo, com um grupo que leva seu nome, a U.D.O., e os seus parceiros caíram no ostracismo. Até que encontraram um substituto à altura, o americano Mark Tornillo. E com ele retomaram o sucesso dos anos 1980 ao gravarem os discos Blood of Nations, de 2010, e Stalingrad, de 2012. E com estes dois petardos, que tem a sonoridade característica daquela época, mas de modo algum soarem datados, caíram de novo na estrada e chegaram a Porto Alegre.
Depois de várias décadas juntos, o grupo se mostra muito bem entrosado. O guitarrista Wolf Hoffmann, sósia do Bruce Willis, magnetiza a plateia com seus solos violentos, e por focar em alguém na audiência, incentivando a pessoa a entrar num quase transe, assim como ele. O baixista Peter Baltes tem sintonia total com o guitarrista, e o dois protagonizam um duelo incrível em cada música. O guitarrista-base Herman Frank é mais discreto, mas igualmente competente. Lá atrás, o batera Stefan Schwartzmann , que entrou na banda nos anos 1990, também não deixa nada a dever ao xará e antigo dono do posto Stefan Kaufmann.
Em exatas e precisas duas horas, o Accept mostra coisas novas, como Stalingrad, Dhadow Soldiers e Hellfire, do disco mais recente, e Teutonic Terror, que retomou o caminho do sucesso no começo desta década. Como já disse antes, elas tem a mesma pegada oitentista que levou o grupo à fama. Então eles deram aos quarentões presentes na plateia, mais novos fãs e uma mulherada bonita, as obras-primas dos renomados Restless and Wild e Balls to the Wall, de 1982 e 1983, respectivamente. Entraram no pacote Fast as a Shark e a conhecida introdução, com trecho de uma música tradicional alemã, aquela do disco arranhado e da voz feminina aparecendo antes do grito primal do Udo, Restless and Wild, Princess of Dawn, que é a minha música preferida do grupo e presente no meu top tem do gênero, Neon Knights, com uma longa e hipnotizante introdução do Hoffmann.
O Accept ainda nos brindou com Breaker, do disco homônimo, o hino Metal Heart, do disco de mesmo nome Losers and Winners e Up to the Limit. Quase todas as músicas do show possuem longos solos, duelos de guitarras, e com o acompanhamento dos roqueiros porto-alegrenses, que diante de uma banda clássica, mostraram conhecer todas as letras, e não pouparam o gogó nos refrões e coros, marcas registradas do Accept, que encerrou o show, e foram 21 músicas, com o clássico-mor Balls to the Wall. Ninguém ficou parado, e eu voltei à minha adolescência, feliz da vida.