O Coletivo Amapoula se conecta com jovens do Brasil inteiro para uma experiência de teatro digital inspirado na poesia e na arte urbana. Mesclando recursos de cinema e teatro, a peça busca inspirar sensibilidade, mesmo diante do momento complexo vivido em razão da pandemia. As apresentações são realizadas gratuitamente, neste sábado, às 20h e domingo, 18h, no Youtube do grupo.
Em razão do surto de Covid-19, o espetáculo presencial “Amor Manifesto ou Poema da Pequena Morte” ganhou uma adaptação inédita para o formato digital, intitulada “Amor/Manifesto”. Com direção geral de Lilian de Lima e dramaturgia de Lis Ricci, conta com a adaptação e direção audiovisual de Tico Dias e Binho Cidral e roteiro assinado por Lis Ricci, Lilian de Lima, Binho Cidral e Tico Dias. “Recriamos esse espetáculo na tentativa de dialogar com o tempo presente, levando em consideração o distanciamento social necessário neste momento. No processo criativo dessa nova versão, imaginamos a poesia como um caminho para conduzir o público jovem a uma experiência de trocas de afeto, inspirando a esperança em dias melhores", explica o coletivo, criado em 2015 em São Paulo.
Baseada na famosa fábula “A Cigarra e A Formiga” a montagem questiona em que momento da vida somos um ou outro, e traz essa reflexão para a complexidade do momento atual, refletindo sobre como o cotidiano nos contagia e cega, ou quando o amor e o afeto nos despem e trocam nossa pele. A partir de um encontro ao acaso, a Cigarra passa a questionar o olhar corriqueiro e sistemático da Formiga, propondo uma nova forma de perceber o mundo. Um caminho de mudança que pode ser possível por meio do afeto e da empatia. “A pandemia trouxe uma realidade de desigualdade social ainda mais gritante, uma luta árdua pelo sustento, além de exigir de cada um de nós o isolamento em prol do coletivo. Isso tudo tem nos endurecido. Mas, como permitir que o corpo sensível continue existindo dentro de nós? Como continuar sendo Cigarra com a vida "enformigando" todo dia?”, explica o grupo.
Abordando o tema com leveza, “Amor/Manifesto” é inspirado na poesia e na arte urbana, enxergando nesse universo um terreno de possibilidades de transformação social e inspirando um olhar através dessa perspectiva para a nossa realidade atual. “Durante o processo de criação, ouvimos relatos de jovens que por se sentirem oprimidos pelas urgências da vida, acabavam se esquecendo de quem são como seres sensíveis, empáticos e viventes. Por isso, queremos trazer essa reflexão para esse público, entendendo que essas pessoas estão justamente na fase de se perceberem no mundo”, comenta o grupo.